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Tudo o que sempre quis saber sobre vinhos: 12 perguntas, 12 respostas

1. Antes de beber o vinho, devo cheirá-lo?

É claro que deve, porque o aroma diz muito sobre a origem do vinho: se o vinho é jovem tem, sobretudo, o aroma das uvas, naturalmente transformado e intensificado pela fermentação; se passa por madeira de carvalho, esta dá-lhe o aroma a carvalho, que até pode ocultar o das uvas; se envelhece na garrafa, formam-se novas substâncias aromáticas, que originam o bouquet. A maior parte daquilo que chamamos sabor é, na verdade, aroma, razão pela qual cheiramos as coisas antes de as levar à boca e só depois as saboreamos (é por isso que não conseguimos saborear nada quando uma gripe nos entope o nariz). Ah, o olfato também detecta os aromas maus, que são defeitos do vinho, como o “cheiro a rolha”, evitando que seja levado à boca e ofenda o paladar. Por tudo isto, e muito mais, faça bom uso das narinas, cheire o vinho e surpreenda-se com os seus aromas.

2. Os aromas (a flores, frutos, especiarias, erva, bosque, caça, couro, químicos e tantos outros) atribuídos aos vinhos existem mesmo ou são imaginados?

Os vinhos são feitos de uvas, nada mais. O que nele encontramos são complexos aromáticos que resultam da casta, do modo como foi feito, da idade, do tipo de envelhecimento. E estes estimulam o núcleo olfativo, situado no cimo das fossas nasais, onde chegam através do nariz e da boca (via retronasal) e são comunicados ao cérebro, que os identifica através do seu registo de sensações e aromas, ou memória olfativa, verdadeiro “banco de dados”, na dimensão correspondente à experiência de vida de cada pessoa. Descobrem-se, assim, as características particulares de cada vinho, entre uma gama de cheiros imensa, que podem ser a flores, como a violeta e a flor de laranjeira (descritores sensoriais típicos das castas nacionais Touriga Nacional e Alvarinho, respetivamente); a fruta, como a amora e o limão; a frutos secos, como a avelã e a uva passa; a especiarias, como a baunilha e a pimenta; vegetais, como o feno e a relva; animais, como a caça e o cabedal; minerais, como o terroso e o calcário; queimados, como o alcatrão o fumado; e muitos outros. Identificá- -los é um exercício de memória aliciante, sendo certo que os melhores vinhos têm perfumes mais ricos e os mais vulgares são aromaticamente pobres.

3. Os vinhos feitos a partir de uma só variedade de uva são melhores do que os que resultam de um lote de várias castas?

A tradição do “velho mundo” é fazer vinhos através da combinação de várias castas, exceto na Borgonha, onde os brancos são de Chardonnay e os tintos de Pinot Noir. Este modelo foi copiado pelo “novo mundo”, onde o nome da casta passou a figurar no rótulo, e o conceito de vinho varietal se impôs. Tem a virtude de apresentar a casta na sua plenitude. Mas não há castas perfeitas em todas as suas componentes e o vinho de lote permite fazer compensações e retirar de cada uma o melhor que tem para dar. Escolha cada qual à medida do seu gosto. Uma coisa é certa: sem boas castas não se fazem grandes vinhos, estejam elas sós ou acompanhadas.

4. Um vinho do Porto Vintage tem 20 anos?

Vintage é um anglicismo que se refere a colheita. Portanto, o termo Vintage inscrito no rótulo diz respeito a uma data: o ano de colheita. Considerado a joia da coroa dos Vinhos do Porto, o Vintage é feito de uvas de um único ano e obrigatoriamente engarrafado dois a três anos após a vindima, evoluindo em garrafa durante dez a 50 anos. Não confundir com o Porto Colheita, também de uma só colheita, mas Tawny, envelhecido em madeira por um período mínimo de sete anos.


5. As uvas dos vinhos doces estão mesmo podres?


Não, nem mesmo as de Sauternes, onde se produz o mais célebre vinho de sobremesa do mundo, graças ao seu microclima: este favorece o ataque às videiras do fungo Botrytis Cinerea, que em português tem o sugestivo nome de “podridão nobre”, e ela rompe a película das uvas muito maduras, provocando a perda de água e a concentração natural de açúcar, ácidos, aromas e sabores, dos grãos de uva, que têm de ser colhidos um a um. Também nos climas frios, onde os grãos de uva são sujeitos a uma temperatura à volta de 10oC, a congelação de parte do sumo e a consequente concentração da parte restante tem efeitos semelhantes, dando origem a outros grandes vinhos, como o eiswein alemão e o icewine canadiano. Fazem-se coisas idênticas com recursos tecnológicos, como a criogenia. Mas voltemos às uvas podres que o não são: o bolor da Bortytis Cinerea opera maravilhas e faz um fantástico vinho doce.

6. É verdade que os vinhos precisam de respirar?

Muitas vezes, ao abrir uma garrafa, vem um cheiro desagradável que, passado algum tempo, se dissipa. Outras vezes, nada acontece e os aromas parecem indetectáveis. É por isso que se rodam e/ou agitam os copos, a fim de arejar o vinho e facilitar a libertação dos aromas mais pesados e mais ricos, que são os que precisam de maior contacto com o oxigénio. Arejar os vinhos é fundamental porque eles precisam mesmo de respirar. O nariz, como se sabe, só detecta substâncias voláteis.

7. Se não beber de uma só vez o vinho de uma garrafa, posso guardá-la sem que o vinho se estrague?

Guardá-la, pode e deve, sobretudo se o vinho for bom, mas não por muito tempo, nem à espera de que se mantenha inalterado. O problema está no contacto do vinho com o ar e na quase inevitável oxidação, que ocorre rapidamente e retira qualidades ao vinho. O que é recomendável é que, da próxima vez, tenha à mão um dos vários acessórios disponíveis nas lojas da especialidade com bomba e rolha para extrair o ar e tapar a garrafa de forma eficaz. Esta solução é particularmente vantajosa com o vinho do Porto, que tende a ficar na garrafa durante mais tempo, por se beber menos de cada vez. Mesmo perdendo qualidades, sobretudo aromáticas, o vinho resiste e dá-nos tempo para o consumir.

8. O vinho Verde Português é mesmo verde?

Com a moda que por aí anda de pigmentar os vinhos para lhes mudar artificialmente a cor talvez venhamos a ter vinho verde mesmo verde, mas isso não passará de artifício. O vinho verde chama-se assim por ter o nome da região onde é produzido: Região Demarcada dos Vinhos Verdes (e a região é assim chamada por causa da paisagem, sempre verde). Não se trata, pois, de um tipo de vinho, mas de uma indicação da região que o produz. Obviamente, o vinho verde é feito de uvas colhidas no estado ideal de maturação, tal como se faz nas restantes regiões portuguesas, e vinificado do mesmo modo.

9. O que é um vinho adstringente?

Diz-se adstringente o vinho que provoca uma sensação seca na boca, áspera, encortiçada, sem salivação, com as papilas gustativas contraídas e os lábios repuxados. É, sobretudo, obra dos taninos (compostos químicos da uva, do grupo dos polifenóis), que são responsáveis pela textura e pela forma como sentimos o vinho na boca. O que se passa é que os taninos inibem a função lubrificante da saliva, por motivos que a química explica. O vinho adstringente é, pois, excessivamente rico em taninos e ácidos. Pode ser muito bom, ou mesmo excecional, mas ainda imaturo, à espera que os taninos e outros elementos se ponham no seu devido lugar.

10. Com os anos, os vinhos ficam melhores?

Melhores ou… piores, depende dos vinhos. Atualmente, os vinhos são feitos, maioritariamente, para serem consumidos jovens. É quando devem ser bebidos. Já os que prometem vir a ser grandes vinhos quando forem velhos não deixarão de agradar enquanto jovens (a menos que estejam a atravessar alguma fase conturbada do processo de amadurecimento, como é próprio da juventude). Estes, normalmente, são vinhos duros e ásperos que precisam mesmo de envelhecer. Deixem que o tempo lhes suavize a textura, expanda os aromas e sabores, componha a harmonia, porque estes, sim, ficam melhores com os anos.

11. É preciso decantar sempre o vinho?

A decantação é necessária para os vinhos com depósito no fundo da garrafa, evitando que não turvem, e útil para outros, como os tintos encorpados e ainda em evolução, com taninos e acidez agressivos, ou certos brancos, para os tornar mais macios, já que o tempo não foi suficiente para o fazer. É preciso ter muito cuidado com os vinhos velhos e delicados, cuja fragilidade aconselha a decantar pouco antes de servir, a fim de preservar o bouquet. Os vinhos do Porto Vintage e L.B.V têm de ser decantados, sobretudo estes, por não serem filtrados. Os Tawny, Madeira e Moscatel dispensam, em regra, a decantação. Os vinhos mais baratos não carecem de decantação, mas se forem servidos no decantador melhor, parecem outros…


12. Posso beber vinho branco com carne e vinho tinto com peixe?


A velha máxima do “tinto com carne e branco com peixe” já não é preto no branco e caiu na galeria dos mitos. Há tintos leves, que vão muito bem com um bom peixe grelhado, e brancos com algum corpo que se harmonizam à maravilha com carne. Fundamental é o equilíbrio: pratos delicados pedem vinhos suaves; pratos com sabores fortes exigem vinhos personalizados. Nesta matéria deve prevalecer o gosto pessoal, conforme a filosofia do crítico de vinhos inglês Andrew Jefford, com o humor típico da sua terra: “Beber o que quero e comer o que quero, e ter esperança de que a combinação resulte”.


Pois aos Enófilos de plantão: Saúde!!!


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Fonte: Tyales Veiga

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