cúpula do Mercosul
“Mais difícil que Ormuz”: Peña critica burocracia na Ponte da Integração diante de Lula
Presidente paraguaio defendeu menos burocracia e disse que famílias ainda perdem horas para cruzar a fronteira.
Publicado em
30/06/2026 às 22:04
Atualizado em
A Ponte da Integração foi pauta das discussões entre Brasil e Paraguai durante a LXVIII Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada nesta terça-feira (30), em Assunção. Em um dos momentos mais marcantes do encontro, o presidente paraguaio Santiago Peña aproveitou seu discurso para cobrar maior agilidade na abertura operacional da nova ligação entre Presidente Franco e Foz do Iguaçu e fez críticas indiretas ao governo brasileiro pela demora na consolidação da travessia.
Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos demais chefes de Estado do bloco, Peña afirmou que a ponte representa um importante avanço para a integração regional, mas disse que a estrutura ainda não entrega todos os benefícios esperados pela população.
“É uma bela realidade, mas uma realidade que nos custou caro. Abrir suas fronteiras foi ainda mais difícil do que abrir o Estreito de Ormuz”, afirmou, em tom de ironia, enquanto olhava para Lula. A comparação faz referência ao estreito localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, considerado um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo.
Na sequência, o presidente paraguaio afirmou que a Ponte da Integração somente cumprirá sua verdadeira missão quando a travessia entre os dois países deixar de ser marcada por longas filas, excesso de burocracia e demora nos controles migratórios e aduaneiros.
“O sucesso da integração deve ser medido pela forma como melhora a qualidade de vida das pessoas, do cidadão mais humilde, da família que atravessa a fronteira sem perder uma manhã inteira na fila”, declarou.
Cobrança em momento decisivo
As declarações ocorrem justamente quando Brasil e Paraguai iniciam uma nova fase de utilização da Ponte da Integração.
Na segunda-feira (29), a Receita Federal e os órgãos que compõem a Comissão Mista Brasileiro-Paraguaia anunciaram que, a partir de 3 de agosto, a nova ponte terá ampliação gradual das operações. Entre as mudanças estão a utilização da estrutura por ônibus internacionais, linhas de turismo, transporte urbano transfronteiriço e veículos de cargas menores em horários específicos, como parte da preparação para o funcionamento pleno da travessia.
Apesar do avanço, Peña deixou claro que considera as medidas insuficientes enquanto a circulação de pessoas e mercadorias continuar enfrentando entraves burocráticos na fronteira.
Integração além da infraestrutura
Durante o pronunciamento, o presidente paraguaio defendeu que a integração regional não pode ser medida apenas pela construção de grandes obras, mas pelos benefícios efetivos para quem vive nas cidades de fronteira.
Ao citar a Ponte da Integração, inaugurada para ampliar a conexão entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, Peña afirmou que a infraestrutura só terá sentido quando representar economia de tempo, facilidade para trabalhadores, turistas e comerciantes e maior dinamismo para o comércio entre os dois países.
Lula já havia defendido fronteiras mais abertas
A cobrança feita por Peña ocorre poucos meses depois de o próprio presidente Lula defender a Ponte da Integração como símbolo da aproximação entre os países do Mercosul.
Na inauguração oficial da estrutura, realizada em Foz do Iguaçu, Lula afirmou que a obra representa mais do que uma ligação física entre Brasil e Paraguai. Segundo ele, construir pontes é o caminho para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias e fortalecer a integração regional.
Na ocasião, o presidente brasileiro destacou que a nova ponte levou mais de duas décadas para sair do papel e afirmou que “as fronteiras não podem ser proibitivas” para quem vive e trabalha na região.
As declarações dos dois presidentes evidenciam que, embora a construção da Ponte da Integração seja considerada um marco para o Mercosul, o principal desafio agora passa a ser transformar a obra em uma rota efetivamente eficiente, com menos burocracia, menor tempo de espera e maior integração entre Brasil e Paraguai.
Fonte: Portal da Cidade
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