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Operação Hawala

Foz é alvo de operação que apura lavagem de R$ 100 milhões e conexão com a Al-Qaeda

Polícia Civil apura atuação de núcleo financeiro na Tríplice Fronteira e bloqueia bens de investigados.

Publicado em 15/07/2026 às 11:27
Atualizado em

(Foto: Divulgação/Ilustrativa/AEN)

A Polícia Civil do Paraná cumpriu, na manhã desta quarta-feira (15), um mandado judicial em Foz do Iguaçu durante a Operação Hawala, investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A ação apura um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 100 milhões para facções criminosas e investiga uma possível conexão financeira com uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.

Além de Foz do Iguaçu, a operação foi realizada em endereços no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e participações societárias. Segundo os investigadores, 10 pessoas foram presas durante a ofensiva.

De acordo com a investigação, a organização criminosa operava uma sofisticada estrutura financeira utilizada para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. As apurações apontam que o esquema atendia inicialmente integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), mas também era utilizado para ocultar recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entre 2021 e 2024, a rede teria movimentado mais de R$ 100 milhões por meio de dezenas de empresas de fachada registradas em diferentes estados. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, essas empresas eram utilizadas para dar aparência de legalidade a valores obtidos com o tráfico de drogas, receptação qualificada e comercialização de produtos falsificados.

As investigações identificaram uma complexa engenharia financeira baseada na abertura de empresas de fachada, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em espécie, utilização de terceiros para movimentações bancárias e operações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados.

Durante as apurações, os investigadores também identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Segundo a investigação, esse grupo teria atuação na região da Tríplice Fronteira, incluindo Foz do Iguaçu, considerada estratégica para a movimentação financeira do esquema.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a identificação de uma relação comercial entre uma empresa ligada aos investigados e um homem sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas. Conforme a Polícia Civil do Rio de Janeiro, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.

Os responsáveis pela investigação ressaltam, no entanto, que esse possível vínculo ainda está em fase de apuração e será analisado a partir dos documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais apreendidos durante a operação.

A investigação também aponta que uma operadora financeira administrava empresas que movimentaram mais de R$ 47 milhões no período analisado. Outro investigado é um contador apontado como peça-chave para manter a estrutura empresarial utilizada no esquema. Segundo a polícia, ele seria responsável por conferir aparência de regularidade às empresas e deixar de comunicar operações suspeitas aos órgãos de controle, facilitando a ocultação da origem ilícita dos recursos.

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, bens e participações societárias dos investigados. O objetivo, segundo a força-tarefa, é enfraquecer financeiramente as organizações criminosas e impedir a continuidade da movimentação dos recursos obtidos de forma ilícita.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que as investigações prosseguem para identificar outros integrantes da organização, localizar novos ativos e aprofundar as apurações sobre a circulação internacional do dinheiro, em cooperação com órgãos brasileiros e estrangeiros especializados no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

Fonte: Portal da Cidade

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