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Parque das aves

Pássaro resgatado com anzol no estômago é devolvido à natureza após cirurgia

Equipe veterinária do Parque das Aves realizou a cirurgia delicada e retirou anzol do estômago da ave.

Postado em 20/09/2019 às 09:19 |

(Foto: Divulgação)

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Uma ave da espécie martim-pescador-grande (Megaceryle torquata) que habita o Parque Nacional do Iguaçu passou por uma cirurgia no Parque das Aves para retirada de um anzol de pesca alojado em seu estômago. A ave foi resgatada pela Polícia Ambiental - Força Verde durante um patrulhamento de rotina no Rio Iguaçu, quando notaram que o animal tinha uma linha de pesca saindo de seu bico, e o encaminharam para o Parque das Aves.

Nos primeiros exames clínicos, os médicos veterinários do Parque notaram que a ave estava alerta e com bom peso, apesar da linha de pesca dentro de seu corpo. A chefe da Divisão de Veterinária do Parque das Aves, Ligia Oliva, suspeitava que o nylon poderia estar preso a um anzol, por isso realizou uma radiografia que confirmou a presença do corpo estranho no estômago da ave. Provavelmente o animal ingeriu o anzol enquanto se alimentava de algum peixe que anteriormente havia sido fisgado.

“Não era possível remover o anzol pelo bico, pois isso poderia causar lesões viscerais. Como ela estava em ótimas condições de saúde, realizamos no mesmo dia uma cirurgia para remoção do anzol. Uma cirurgia delicada, mas necessária para manter o animal vivo.”

O anzol tinha cerca de três centímetros, tamanho considerado grande por se tratar de uma ave de pequeno porte. “Após a cirurgia, o animal foi mantido em área isolada do Hospital veterinário do Parque, para maior conforto, recebendo alimentos próprios para a espécie e permanecendo sob cuidados médicos que incluíam antibióticos e analgésicos”, acrescenta.

De volta à natureza

Com o fim do tratamento e após a completa recuperação cirúrgica do animal, a equipe comunicou a polícia ambiental que o animal encontrava-se bem. A avaliação veterinária de Ligia indicou também que o animal seguia com plenas condições de voo, quadro este totalmente sugestivo para uma volta imediata ao seu ambiente natural, uma vez que ele encontrava-se íntegro. A ave também já se alimentava sozinha e demonstrava comportamentos específicos da espécie - possivelmente por ter tido pouco contato com humanos, algo ideal para manter os instintos naturais.

O martim-pescador-grande foi então devolvido à Polícia Ambiental - Força Verde, que ficou responsável pela soltura da ave às margens do Rio Iguaçu, mesmo local onde foi encontrada. Os policiais tiveram o apoio de Ben Phalan, chefe do Núcleo de Conservação do Parque das Aves, e Katlin Fernandes, bióloga da conservação.

Um fator importante é o horário de soltura. Segundo Katlin, o ideal é soltar o animal conforme seu comportamento. “Um animal diurno deve ser solto de manhã e um noturno é solto no final da tarde. O martim-pescador-grande tem hábitos diurnos, então a equipe realizou a soltura bem cedo.”

Ben conta como foi a soltura: “andamos até a margem do rio. Ao abrir a porta da caixa, a ave não se mexeu. Talvez faltasse confiança no iniciar o voo e explorar o ambiente externo. Após remover a tampa da caixa ela ficou ali por um momento antes de alçar voo e vocalizar. Foi gratificante vivenciar aquele momento”.

Hábitos

O martim-pescador-grande é uma ave que tem distribuição geográfica em quase todo território brasileiro, principalmente em regiões da Mata Atlântica. Segundo informações do Wikiaves, a ave é encontrada perto de rios, córregos, lagunas, lagoas, açudes, manguezais e orla marítima.

Os hábitos alimentares do animal ajudaram os veterinários a suspeitar da presença de anzol, pois a ave se alimenta preferencialmente de peixes.

“É muito triste ver o impacto que o homem está causando na natureza, fazendo com que os animais entrem em contato com nossos resíduos, como o anzol ou outros materiais que trazem danos para a fauna, mas ao mesmo tempo é gratificante poder estar aqui e ajudar aves a voltarem aos seus ambientes naturais. É o que nos faz sentir que estamos no caminho certo”, comenta Ligia.

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