CHEIA DOS RIOS
Rio Iguaçu cheio reduz escoamento e faz Rio Paraná subir mais rápido, explica Itaipu
Rio chegou a 116,13 metros na Ponte da Amizade nesta segunda-feira (12). Cheia já alcança o Porto de Areia, mas previsão não indica avanço até as casas.
Publicado em 12/10/2026 às 16:52
A rápida elevação dos rios Paraná e Iguaçu mantém Foz do Iguaçu e cidades do lado paraguaio em alerta nesta segunda-feira (12). No período da tarde, o nível do Rio Paraná chegou à cota de 116,13 metros acima do nível do mar na estação hidrométrica instalada na região da Ponte Internacional da Amizade.
A Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional mantém o monitoramento permanente da situação após o grande volume de chuva registrado nos últimos dias nas bacias dos dois rios.
Em Foz do Iguaçu, a água já avançou sobre o Porto de Areia, no bairro Porto Meira, uma das áreas mais baixas e próximas ao Paraná. Apesar do avanço da cheia, a situação ainda está abaixo da cota em que residências da região começam a ser diretamente afetadas.
Segundo as informações divulgadas nesta segunda-feira, os imóveis começam a sofrer impactos quando o Paraná alcança aproximadamente 119 metros acima do nível do mar. Até o momento, as projeções não indicam que o rio deva chegar a esse patamar.
Mesmo assim, a Defesa Civil intensificou o acompanhamento nas áreas ribeirinhas e orienta moradores e empresas instalados em pontos sujeitos a alagamentos a adotarem medidas preventivas. Dependendo da evolução do nível da água, a recomendação é que a saída das áreas de risco seja realizada antecipadamente.
Por que o Rio Paraná está subindo?
A cheia não depende apenas da quantidade de água liberada pela Usina de Itaipu.
Um dos principais fatores neste momento é o grande aumento da vazão do Rio Iguaçu. O Iguaçu encontra o Paraná alguns quilômetros abaixo da barragem de Itaipu, na região da Tríplice Fronteira.
Quando o Iguaçu chega muito cheio ao encontro dos rios, a enorme quantidade de água dificulta o escoamento do próprio Paraná nesse trecho. Na prática, é como se a água encontrasse mais resistência para seguir rio abaixo.
Esse fenômeno é chamado de efeito de remanso e pode provocar elevação adicional do nível do Paraná.
Itaipu consegue controlar parte da vazão que sai de seu reservatório, por meio da geração de energia e do vertedouro, mas não controla a água que chega pelo Rio Iguaçu. Por isso, chuvas fortes e simultâneas nas duas bacias podem provocar uma elevação rápida do Paraná mesmo com medidas operacionais adotadas pela hidrelétrica.
Quase 200 milímetros de chuva em 72 horas
De acordo com o coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu, engenheiro Paulo Zanelli Jr., o volume de chuva registrado nos últimos três dias foi expressivo.
Algumas estações instaladas na bacia do Rio Iguaçu registraram acumulados próximos de 200 milímetros em 72 horas. Na área de influência do reservatório de Itaipu, houve pontos com volumes superiores a 100 milímetros no mesmo período.
Segundo Zanelli, Itaipu está utilizando os recursos operacionais disponíveis para tentar reduzir os efeitos da cheia sobre as comunidades próximas aos rios.
A usina também avalia estratégias para amortecer o pico da cheia, acompanha continuamente as chuvas e vazões e repassa alertas antecipados aos órgãos responsáveis pelas ações de emergência.
Desde a segunda quinzena de setembro, sucessivos episódios de chuva significativa vêm sendo registrados nas bacias hidrográficas que influenciam a operação de Itaipu.
Mais de 100 famílias atendidas no Paraguai
Do outro lado do Rio Paraná, a situação já provoca impactos maiores.
Mais de 100 famílias do bairro San Rafael, em Ciudad del Este, receberam assistência após áreas da comunidade serem atingidas pela inundação.
A Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu, responsável pela coordenação das ações de evacuação no Paraguai, auxilia moradores na retirada de móveis, eletrodomésticos e outros pertences, além do transporte das famílias para locais seguros.
Os trabalhos contam com apoio das Forças Armadas, da Marinha Nacional, da Secretaria de Emergência Nacional do Paraguai, voluntários e moradores da própria região.
Dados oficiais de Itaipu utilizados como referência para o monitoramento do Paraná classificam diferentes níveis de inundação conforme a cota registrada na estação da Ponte da Amizade.
Monitoramento continua
A tendência dos rios segue sendo acompanhada ao longo das próximas horas. A Itaipu afirma que atualiza constantemente suas projeções conforme entram novos dados de chuva e vazão.
Em Foz do Iguaçu, a Defesa Civil também permanece mobilizada, principalmente no Porto Meira e em outras regiões próximas aos rios Paraná, Iguaçu e aos cursos d'água que podem sofrer influência da cheia.
Por enquanto, apesar da rápida elevação do Paraná e do avanço da água sobre áreas mais baixas, a previsão disponível nesta segunda-feira não aponta que o rio alcance a cota de 119 metros, referência informada para o início dos impactos diretos sobre residências na região monitorada.
Fonte: Portal da Cidade
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