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Educadores iniciam greve com ato público em frente ao Núcleo Regional de Foz

Servidores são contra reforma da Previdência do Paraná e reivindicam a manutenção do Ensino Médio à noite.

Postado em 02/12/2019 às 15:39 |

(Foto: Divulgação)

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Professores, pedagogos e funcionários de escolas da rede estadual iniciaram greve nesta segunda-feira (02), com ato público em frente ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz do Iguaçu. Os educadores são contra a reforma da Previdência apresentada pelo governador Ratinho Junior (PSD), em trâmite na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP).

Para os educadores, o avanço dessa proposta resultará em redução de salários e no desmonte da aposentadoria. A paralisação também é para refutar diversas medidas educacionais, como o encerramento do Ensino Médio à noite, com o cancelamento de turmas do primeiro ano previsto já para 2020. Na planilha on-line de vários estabelecimentos de ensino em Foz e região, a abertura de turmas está negada pelo governo.

“É uma lista extensa que tem na pauta da greve a defesa da aposentadoria e a manutenção do Ensino Médio à noite, da ampla oferta da Educação de Jovens e Adultos e da disciplina de Espanhol na grade curricular”, explica a presidenta da APP-Sindicato/Foz, Cátia Castro. “A greve também é pelo direito dos servidores temporários, os ‘PSS’, ao trabalho”, destaca.  

A dirigente sindical ressalta que os servidores terão de trabalhar por maior período e contribuir mais para a Previdência caso o projeto do governo seja aprovado. “Com a elevação da alíquota de contribuição para 14%, teremos diminuição de nossos salários já no próximo mês de janeiro. Temos de lembrar que nós, educadores, vamos completar quatro anos sem a reposição das perdas com a inflação”, acentua Cátia.

Esta é segunda paralisação dos trabalhadores da educação neste ano. Os educadores acusam o governo de não cumprir os itens pactuados no encerramento do movimento lançado em junho. “Esta não é só uma greve, é um grito desesperado da nossa categoria por emprego, salário, aposentadoria e pela própria existência da escola pública”, assevera Cátia.

Vila C sem Ensino Médio

Uma das regiões mais populosas de Foz do Iguaçu, a Vila C poderá ficar sem novas turmas de Ensino Médio no próximo ano. Conforme levantamento da APP-Sindicato/Foz, os primeiros anos dos colégios Flávio Warken e Vila C, que ficam no bairro, aparecem como “não autorizados” no sistema eletrônico das escolas.

Outras áreas da cidade com grande número de habitantes e elevada quantidade de adolescentes e jovens que trabalham de dia e estudam à noite estão na mesma condição. Os colégios Arnaldo Busatto, em Três Lagoas; Dom Pedro II, no Morumbi; e Gustavo Dobrandino da Silva, no Porto Meira, por exemplo, também estão com turmas de primeiro ano do Ensino Médio negadas.

De acordo com o secretário de Finanças da APP-Sindicato/Foz, Silvio Borges, a extinção do Ensino Médio à noite resultará em desemprego. “Estimamos que serão encerradas 500 turmas, o que representa o desemprego de mais de mil professores, a começar pelos ‘PSS’, e depois atingirá docentes com aulas extraordinárias e os demais educadores”, aponta.

Comissão de pais e mães vai ao NRE

Organizados em uma comissão, pais e mães de alunos compareceram ao ato público em frente ao NRE de Foz do Iguaçu e pediram para serem atendidos pela chefia do órgão educacional. Eles querem garantir que seus filhos possam realizar matrícula no primeiro ano do curso de Formação de Docentes, o antigo Magistério, do Colégio Barão do Rio Branco.

Conforme os pais, há uma lista para três turmas de primeiros anos no ano letivo de 2020, mas o governo autorizou até o momento a abertura de somente duas classes. “Nossos filhos passaram na seleção, mas agora a escola não está autorizada a efetivar as matrículas. É só o Barão que oferece essa formação na cidade”, diz a administradora Regina de França, mãe de aluna que pretende estudar para a carreira docente.

Vigília em Foz e manifestação em Curitiba

Nesta segunda-feira, às 19h, educadores aposentados de Foz do Iguaçu e região realizam vigília na Praça do Mitre, no centro. Eles vestirão roupas pretas e acenderão velas para, simbolicamente, “velar a aposentadoria dos servidores públicos do Paraná”. A atividade faz parte da agenda da greve.

Hoje à noite, os servidores também embarcam para Curitiba (PR), onde participam de ato público unificado que reunirá várias categorias do funcionalismo nesta terça-feira, 3. Na capital do estado, fazem um balanço sobre o processo de tramitação da reforma da Previdência na ALEP e avaliam a paralisação e outras estratégias de mobilização.

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