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Eleições 2020

"O poder público tem o papel de facilitar a vida das pessoas", diz Ranieri

O candidato do PRTB é o sétimo entrevistado da série promovida pelo Portal da Cidade com os postulantes ao cargo de prefeito.

Postado em 14/10/2020 às 16:59 |

(Foto: Portal da Cidade)

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Ranieri Marchioro concorre pela primeira vez a um cargo político. O candidato do PRTB a prefeito de Foz do Iguaçu é o único, dos nove postulantes ao cargo de prefeito, que não possui tempo de rádio e de TV. Nos últimos anos ficou conhecido na cidade por exibir um de seus caminhões de coleção do exército para demonstrar apoio a Jair Bolsonaro. Sua candidata a vice é Leila, do mesmo partido.

Ranieri é o sétimo entrevistado da série promovida pelo Portal da Cidade. Leia abaixo os principais trechos e ouça a entrevista na íntegra. 

Por que se considera capacitado para administrar Foz do Iguaçu e tendo o maior patrimônio declarado entre os candidatos (mais de 9 milhões de reais) por que concorrer às eleições? 

Bom, eu nem sabia que tinha todo esse patrimônio (risos). Porque no processo de candidatura, eu procuro sempre fazer as coisas dentro da lei e pedi ao meu contador para ver como fazer isso direitinho para não ter nenhum erro. Ele falou que eu deveria pegar minha declaração do imposto de renda e atualizar pelo valor de mercado. Atualizei e deu esse valor de R$ 9,5 milhões. A minha surpresa foi grande ao ver esse valor, mas minha surpresa maior foi ao ver a declaração dos outros candidatos. Não condiz com a realidade, me perdoe. Esse tipo de informação que a lei obriga que seja de maneira transparente, eu fiz da maneira que a lei exigia. Um patrimônio declarado na Receita Federal, trabalho há mais de 40 anos, sempre fui muito eficiente e eficaz nas coisas que eu fiz, não tenho vícios. Ou seja, sou um bom gestor do meu patrimônio pessoal. Isso me credencia a ser gestor do patrimônio do município. Alguém que não teve condições de a vida inteira adquirir algum patrimônio, algo aconteceu ou falta de sorte, talvez. 

Caso seja eleito, quais serão suas primeiras medidas em seu governo? 

Um diagnóstico profundo, econômico e social da cidade, do comércio. Nós, como não estamos no governo, temos muita dificuldades de acesso à informação. Me faltam números, faltam dados estatísticos. Tenho tentado isso, através da lei de acesso à informação, mas o poder público tem seus caminhos, mas essas informações demoram demais para chegar. O Portal de Transparência, na minha opinião não é tão transparente assim. 

A partir desse diagnóstico, irei implantar medidas baseadas nesse diagnóstico correto. Não adianta na campanha eu dizer que vou fazer isso ou aquilo, isso é ilusão. Você precisa ter um diagnóstico para fazer um trabalho eficiente. 

Como fazer com que Foz do Iguaçu não dependa tanto economicamente do setor de turismo e eventos e que tantos iguaçuenses não precisem ter que atravessar a fronteira para trabalhar no Paraguai? 

O primeiro passo que eu vejo para a recuperação econômica é deixar os empresários e empreendedores trabalharem. O poder público tem uma função única que é facilitar a vida das pessoas, do empresário, do empreendedor. Ou seja, preservar os empregos. O que fizemos em Foz do Iguaçu, a exemplo de muitos estados e municípios, onde governadores e prefeitos decidiram, com amparo legal do STF, fechar as cidades e o comércio. Destruíram muitas empresas, muitos empregos. E o que é pior, politizaram a doença. Aquilo que era para ser tratado de maneira técnica, foi tratada de maneira política. Ou seja, Se nós mantermos o distanciamento de dois metros, que é o recomendado, se isso é capaz de impedir a transmissão do vírus, se a utilização de máscara é um meio de proteção auxiliar, se os hábitos de higiene, lavar as mãos, não tocar nariz e boca são medidas auxiliares, por que devemos fechar o comércio? Por que devemos destruir a matriz econômica, destruir os empregos? Isso é toda uma questão política que está por trás disso. A imprensa, especialmente a televisiva, gastou horas e horas politizando a doença, quando deveria ter investido na educação das pessoas, alertando-as para a preocupação com a transmissão do vírus. A doença existe, ela mata, especialmente alguns grupos específicos de maior idade, com comorbidades e deveríamos ter nos preocupado com isso e não ter fechado a economia. Foz do Iguaçu é o município do estado do Paraná que mais sofre com a pandemia. Teve o maior número de empresas e empregos destruídos por conta da má gestão, má condução da doença, especialmente pelo poder público. 

Então, de nossa parte, lockdown em Foz do Iguaçu nunca mais. E voltando a sua pergunta, o que fazer para melhorar o desempenho econômico de Foz do Iguaçu numa situação dessa? Nós temos várias matrizes que devemos explorar. Todo mundo fala em parque industrial, atrair grandes indústrias para a cidade. Nossa vocação não é essa. É claro que devemos ter o segmento do comércio, da prestação de serviço e da indústria que nos atenda de alguma forma. Agora, se você acha que alguém vai trazer uma matéria prima de Minas Gerais, para Foz do Iguaçu embalar e mandar para São Paulo, esquece, não vai acontecer. Uma hipótese seria pegar o corredor de importação, ver os produtos que vêm in natura do Chile e da Argentina, ou do Uruguai que vem pelo Rio Grande do Sul e eventualmente passem por aqui e quem sabe industrializar isso? Nós devemos pensar em indústrias limpas, tecnológicas. Um polo estudantil, isso gera muita receita e riqueza e não nos deixa tão dependentes do turismo. Mas, especialmente nossa vocação é o turismo e nós temos que trabalhar para embelezar nossa cidade e vender nosso produto lá fora. Trabalhar com calendário anual de eventos, um calendário permanente de eventos, todo mundo quer vir a Foz do Iguaçu. Quem vem para um congresso em Foz do Iguaçu, pode trazer a família. O marido vai para o congresso e a esposa e filhos vão passear pela cidade. Aqui é um lugar diferenciado, abençoado. Temos que vocacionar para o turismo. Pensar em atividades secundárias, sim, mas não podemos esquecer do turismo.  

Quais as propostas para utilizar melhor o Centro de Convenções? 

Primeiro que aquilo é um cabide de emprego. Tem um custo de mais de cem mil reais em salários. Tem que chamar os parceiros que são proprietários, e tornar aquele local viável economicamente. Com a duplicação da BR-469, imagino que o acesso ao Centro de Convenções será facilitado e com a ampliação do aeroporto, o movimento deve aumentar muito ali. Poderíamos dar várias destinações aí. Por exemplo, um free shop, com várias lojas, para atender aquele público que faça o trajeto do aeroporto. O que não pode é dar o prejuízo que ele tem dado, não está sendo utilizado. Temos uma ideia de arena multiuso. Aliás, durante nossa pré-campanha, muitos projetos vazaram. Hoje com tecnologia de escutas e espionagens, as pessoas acabam tendo acesso a informações que deveriam ser sigilosas. Mas nós queremos uma arena multiuso, mais bem localizada e centralizada, para que possamos fazer nossos eventos e não depender tanto do Centro de Convenções, que é um pouco distante. 

Um das principais reclamações da população é com o transporte coletivo, seja pelo serviço prestado ou valor da passagem. Quais as propostas para melhorar esse sistema? 

Eu como turista, quero provar das cidades que eu visito, tudo o que ela oferece, dentre elas o transporte coletivo. Somos uma cidade que vende a ideia de natureza e nossa frota de ônibus é movida por combustível fóssil. Temos um verão que facilmente ultrapassa os 40 graus e nem todos os veículos têm ar-condicionado. Uma pequena parte agora tem. 

Eu fui conversar com segmentos interessados no transporte coletivo. Fui conversar com empresários, fui saber do poder público e fui saber do usuário. Precisamos colocar numa mesa de negociação esses três, empresário, poder público e usuário. A tarifa elevada não é interessante nem pro empresário do Consórcio Sorriso, nem pro usuário e muito menos pro empresário que paga o vale-transporte. Precisamos de uma tarifa baixa, que garanta a lucratividade do investidor. Temos que planilhar e conhecer esse custo de oferta e serviço e ter uma margem de lucro. Qualquer negócio não existe se não tiver lucro. E ter lucro não é um crime, precisamos que seja algo equilibrado. 

Nós temos um projeto para Foz do Iguaçu que é um pouco diferente do sistema que está rodando hoje na cidade. Se a pessoa está no Três Lagoas e decide ir para a Vila C. Hoje ela necessita vir ao terminal e daqui ir para a Vila C. Não existe uma linha direta Três Lagoas à Vila C. Temos muitos carros rodando, fazendo o mesmo trajeto, indo para o terminal central. E às vezes o ônibus está transportando cinco, dez pessoas. Isso torna o custo da passagem elevado, o custo sobe. Queremos reformar o terminal central, instalar miniterminais ao longo de quatro rotas que seriam rotas principais, usando tecnologia da informação para em vias com sinais de trânsito para que tenham acesso liberado por mais tempo. E nos bairros, alimentando essas linhas troncais com ônibus alimentadores. Essa é uma ideia que vimos funcionar em grandes cidades pelo país. 

Eu não tenho coragem de levar um turista estrangeiro para o transporte público de Foz, pois vai levar essa ideia pra fora. Precisamos pensar numa cidade que ofereça serviço público de qualidade no padrão que nós temos das Cataratas do Iguaçu que elas representam para o Turismo. 

Propostas da Saúde. 

Todos os estrangeiros de municípios de fronteira com o Brasil, vivem lá e não pagam impostos aqui têm os direitos assegurados de virem fazer o atendimento de saúde aqui. Lei de imigração, o Congresso aprovou em 2017 e o presidente Michel Temer sancionou essa lei. Temos um problema de dimensionamento do sistema de saúde em Foz do Iguaçu que não está preparado para atender os beneficiados dessa lei de imigração. Nós temos uma população em torno de 250 mil pessoas, nosso sistema sabemos que está colapsado. Sabemos de uma fila gigantesca para exames com especialistas, exames médicos, o sistema não suporta. Existe essa demanda reprimida fora do país e que tem direito de ser atendida aqui. 

No meu entendimento, a obrigação do poder municipal é com a saúde básica, postos de saúde e UPAs. Eu quero um hospital que possa ser gerido com qualidade e atender a demanda da população. Então, por que não chamar o governo do Estado para conversar e tornar em um Hospital Regional? Temos o curso de Medicina da Unila, por que não torna-lo em um Hospital Universitário, com recursos federais do Estado? A carga financeira para o município é muito grande. E se todas as pessoas que têm direito a buscarem o sistema de saúde o fizerem, Foz do Iguaçu entra em colapso imediato. 

Propostas para a Educação 

Falar de Educação é algo que me deixa muito confortável por uma razão simples: eu sou professor. E também sou militar. Para o próximo ano é fato que nós teremos um problema muito sério na rede pública. Por conta da pandemia, por conta da suspensão das aulas presenciais, as nossas crianças da rede pública, aquelas das regiões mais carentes, por falta de equipamentos tecnológicos não puderam ter um ensino à distância com qualidade. Por causa da crise econômica, muitos pais perderam renda, tinham seus filhos em colégios particulares e ano que vem não poderão pagar as mensalidades. É obrigação do poder público atendê-las. 

Provavelmente teremos um número de alunos tão grande e de salas de aula tão pequeno e para atender todo mundo teria que ter salas com 30, 40, 50 ou 60 alunos. Isso é inviável, impraticável. É desumano, inclusive com o professor. O professor tem condição de atender bem até 20, 25 alunos. Acima disso, não. 

O que é um país, sem formar a sua base, que é a infância? Temos aí uma geração perdida, por conta de anos de doutrinação esquerdista, que apenas imbecilizaram as pessoas, ao invés de ensinar e nós precisamos fazer um trabalho de resgaste desses valores e a educação é um princípio básico e nós vamos trabalhar firmemente nisso. 

Propostas para Cultura e sobre possível teatro municipal. 

Dentro da cultura e esportes está nossa arena multiuso. Dentro dela podemos fazer cultura, teatro, shows, eventos esportivos. Existirá um palco, grande, iluminado, muito bacana. Um espaço para 12 a 15 mil pessoas, um projeto que vamos trabalhar para implementar. Como gestor municipal vamos priorizar aquilo que é emergencial inicialmente. Arena Multiuso é um sono e nós a teremos. Vamos encontrar parcerias, assim como outras estruturas que queremos criar para a cidade. Eu não consigo pensar em Foz do Iguaçu sem pensar em uma cidade humana, inteligente, criativa, sustentável, fazendo arte, fazendo teatro, show, festival de cinema, é a nossa vocação. Pensamos numa estrutura física, capaz de atender em função da sua pergunta tanto o esporte quanto o teatro, podemos fazer uma escola de teatro. A cultura e a arte tem um poder gigantesco para educar as pessoas. 

Projetos para o Meio Ambiente 

Quando as pessoas pensaram em arborizar a cidade, escolheram as árvores inadequadas. Temos um projeto para fazer a substituição progressiva dessas árvores, para que a cidade também não fique um deserto. No último temporal, participei com uma equipe, usando aquele caminhão da campanha do Bolsonaro, ajudando a desbloquear ruas interditadas por árvores caídas. Foi um estrago muito grande e isso é recorrente. Todos os anos nós temos esse problema na cidade. O próximo gestor público terá a missão de fazer progressivamente a substituição de árvores que não danifiquem as calçadas, os muros. Aí temos que chamar o pessoal que é técnico específico dessa área ambiental, para saber quais árvores que estão ambientadas para o nosso clima e nossa cidade, mas isso está no foco do nosso projeto de governo. 

Segurança Pública 

Infelizmente nós temos uma demanda muito grande relacionada à segurança pública em Foz do Iguaçu, pelas questões normais e naturais de qualquer cidade de fronteira. Existem crimes aqui que devem ser tratadas pelo governo federal, crimes que devem ser tratados pelo governo estadual. A segurança pública não é uma obrigação principal do município. Apesar disso, temos a Guarda Municipal que tem feito um trabalho maravilhoso de apoio à segurança pública. Não era função primária da Guarda Municipal ser força de segurança pública, e sim uma guarda patrimonial. Nós precisamos investir na GM que há muito tempo não tem concurso. Precisamos fazer um estudo para saber se o orçamento do município suportaria uma renovação da GM. Agora, é indiscutível que uma cidade que pretende vender turismo, seja segura. É impensável querer fazer turismo numa cidade que tenha eventos de assalto, de violência. Porque o turista que vem aqui e sofre violência, ele leva essa informação pro mundo inteiro e acabamos perdendo clientes. É importante uma ação presencial de polícia, mas especialmente utilizar recursos de tecnologia. Câmeras de reconhecimento facial, como foram colocadas na Ponte da Amizade, um projeto da ABDI e do Governo Federal. 

Queremos fazer de Foz do Iguaçu uma cidade inteligente e nós utilizaremos as pessoas, os recursos pessoais, todas as forças de segurança e aliar a uma tecnologia. Dentro do nosso plano de governo queremos inserir um sistema de gestão integrada para o gerenciamento de cidades inteligentes. Hoje a prefeitura tem equipamentos de informática e programas instalados que não conversam entre si. Queremos mapear as rotinas e utilizar esse gerenciamento de modo integrado. Isso vai ajudar muito na segurança pública. Quem é o primeiro denunciante de um ato de violência? A vítima ou a sociedade, raramente a polícia. A menos que veja um flagrante, mas normalmente ele é acionado. Temos que ter câmeras instaladas em pontos estratégicos e toda a sociedade tenha acesso e possa instalar um botão de alarme, para que a sociedade possa avisa o poder público. Agora, dizer que vai colocar um contingente de dez mil homens na segurança de Foz do Iguaçu, isso é irreal.


Ouça a entrevista completa:


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