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TECNOLOGIA E ENERGIA

EUA anunciam projeto de inteligência artificial no Paraguai com energia de Itaipu

Parceria entre empresas americana e paraguaia prevê início das operações em 2027 e pode representar um dos maiores investimentos privados do país.

Publicado em 21/10/2026 às 22:17

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, e o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau. (Foto: Divulgação)

A energia produzida pela Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Foz do Iguaçu e o Paraguai, será utilizada em um grande projeto de inteligência artificial no país vizinho. O acordo foi anunciado nesta quarta-feira (21) pelo governo dos Estados Unidos e envolve a empresa americana Crusoe e a paraguaia Araico.

O empreendimento prevê a construção de uma estrutura de computação de alto desempenho, capaz de processar grandes volumes de informações e atender empresas que utilizam serviços de inteligência artificial e armazenamento de dados. A previsão é que a primeira operação comece em meados de 2027.

Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o projeto poderá representar um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai. A instalação deverá atender clientes norte-americanos e de outros países da América Latina.

A parceria foi anunciada durante a visita do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, ao Paraguai. Nesta quarta-feira, ele também esteve na Usina de Itaipu, acompanhado do presidente paraguaio, Santiago Peña, e de autoridades da margem paraguaia da hidrelétrica.

Projeto prevê investimento bilionário

A Araico já havia divulgado planos para construir um grande centro de inteligência artificial em Yguazú, no departamento paraguaio de Alto Paraná. Chamado de Iguazú AI City, o empreendimento tem previsão de investimentos de US$ 12 bilhões ao longo de suas etapas de implantação.

Segundo informações apresentadas anteriormente pela empresa, o complexo deverá começar com capacidade de 6 megawatts e poderá chegar a 280 megawatts até 2029.

A proposta é utilizar a energia de Itaipu para manter milhares de equipamentos de processamento de dados em funcionamento. Esses computadores são utilizados para desenvolver, treinar e operar sistemas de inteligência artificial, tecnologia que exige grande capacidade de processamento e fornecimento constante de eletricidade.

Apesar da estimativa bilionária apresentada pela Araico para o complexo em Yguazú, o comunicado divulgado nesta quarta-feira pelo governo americano não informou o valor específico da parceria com a Crusoe.

Brasil não participou do anúncio

Embora Itaipu seja administrada conjuntamente pelo Brasil e pelo Paraguai, o acordo foi anunciado sem participação brasileira.

A usina informou que não participou das negociações comerciais e que cada país é responsável pela destinação de sua parcela da energia produzida, conforme as regras do tratado que rege a hidrelétrica.

O comunicado americano também não esclareceu como será feita a contratação da eletricidade nem apresentou detalhes sobre a infraestrutura necessária para atender o empreendimento.

No Paraguai, o fornecimento de energia é administrado pela Administração Nacional de Eletricidade (ANDE). A Araico já informou que negocia com a estatal as condições para abastecer o futuro complexo.

Autoridade americana visitou Itaipu

O anúncio ocorreu durante a passagem de Christopher Landau pelo Paraguai, entre segunda-feira (19) e quarta-feira (21).

Nesta quarta, o representante do governo dos Estados Unidos visitou a Usina de Itaipu ao lado do presidente Santiago Peña e do diretor-geral paraguaio da binacional, Justo Zacarías Irún.

Durante o passeio, a comitiva conheceu o vertedouro, a casa de máquinas e outras estruturas da hidrelétrica.

Landau afirmou que conhecer Itaipu era um desejo antigo e destacou a importância da obra para a geração de energia. O presidente paraguaio, por sua vez, defendeu que o país aproveite cada vez mais sua eletricidade para atrair indústrias, especialmente do setor tecnológico.

Além do projeto de inteligência artificial, a visita do representante americano incluiu discussões sobre investimentos, segurança nas fronteiras e cooperação econômica entre os dois países.

Ainda não há confirmação sobre o início das obras relacionadas à nova parceria entre Crusoe e Araico nem sobre o número de empregos que serão gerados.

Fonte: Portal da Cidade

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