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Estiagem

Falta de chuva deixa rio Paraná cerca de 10 metros abaixo do seu nível normal

As chuvas registradas até agora neste ano estão bem abaixo da média norma, mas há expectativa de que a situação melhore para os últimos meses do ano.

Postado em 16/09/2021 às 10:09 |

(Foto: Giovani Zanardi/RPC)

O rio Paraná, afetado por uma das piores estiagens dos últimos anos, não dá sinais de recuperação. A jusante da hidrelétrica da Itaipu Binacional encontra-se pelo menos 10 metros abaixo do nível normal, enquanto a montante a situação não é tão diferente. Na região de Salto del Guairá, o nível do rio é de 100 centímetros, quando a média é de 137 centímetros.

Das 86 estações de telemetria do Instituto das Águas e Terras do Brasil, somadas a outras de usinas hidrelétricas, que monitoram os 51 rios do Estado do Paraná, apenas quatro estão marcadas em verde, nível superior à elevação média normal , todos os demais estão marcados em vermelho, ou seja, os rios afluentes do Paraná estão cada vez com menos água.

O Paraná tem importância continental, pois forma a Hidrovia Tieté-Paraná, no Brasil, e faz parte da Hidrovia do Río de la Plata, que conecta portos de exportação e importação com a Bolívia, Paraguai e Argentina.

O rio São Francisco, que deságua no Lago Itaipu, tem 60 centímetros. A altura média é de 84 centímetros. Os serviços brasileiros de controle de água também mostram a quantidade de chuvas. De uma semana para a outra, choveu apenas 1,8 milímetros na área da usina de Itaipu.

Desolador

O poderoso rio Paraná oferece hoje uma imagem pouco vista, tanto na região das Três Fronteiras quanto nas demais regiões por onde passa. É um recuo histórico que afeta gravemente a vida de quem vive nas áreas ribeirinhas e também atinge a economia, por se tratar de uma via pela qual se escoa a produção de matéria-prima.

O rio Paraná é a décima bacia do mundo. Até agora, os especialistas não conseguem explicar se a causa é natural ou o efeito da mudança climática. Na América do Sul, é o segundo maior rio, atrás apenas do Rio Amazonas. O problema se arrasta desde 2019 e este ano registrou situações que não aconteciam desde 1940.

O rio Paraná nasce no Brasil, recebe afluentes no Paraguai e deságua no Atlântico, na Argentina, onde seu trecho é navegável e vital para as exportações do Paraguai, assim como da Bolívia, por não possuir litoral no mar. As chuvas registradas até agora neste ano estão bem abaixo da média normal, mas a situação deve melhorar entre os meses de novembro e dezembro.

Pequena melhora

Na quarta-feira (15) o recorde da elevação (altitude acima do nível médio da superfície do mar) na Estação Hidrométrica da Ponte da Amizade amanheceu em 97,50, ou seja, 10 metros abaixo do seu nível normal. Durante o dia, atingiu um nível máximo de 97,78.

Embora haja uma ligeira melhora, considerando que em junho estava 13 metros abaixo do normal, a vazão do Paraná ainda está longe de 105,99, nível considerado normal. Quando o nível ultrapassa 118,79, as enchentes começam nas áreas baixas, onde estão os populosos bairros de San Rafael e San Agustín. A última grande enchente ocorreu em 2017.

De acordo com o boletim diário, a Diretoria Técnica e Superintendência de Operação da Divisão de Estudos Hidrológicos e Energéticos do estado do rio Paraná da entidade binacional, estado atual com base no nível do rio, a jusante da Usina Hidrelétrica, não afeta qualquer infraestrutura ou instalação.

A falta de chuvas atinge não só o rio Paraná, mas também o rio Iguaçu e o Uruguai, essas duas nascentes estão localizadas no lado argentino, pois têm suas bacias no Brasil, onde tem ocorrido uma longa estiagem.

É uma seca causada pelo fenômeno La Niña. De acordo com os dados, existem mais de 50 hidrelétricas a montante da Itaipu Binacional. 80% da fonte de abastecimento do reservatório (Lago de Itaipu) é proveniente da referida vazão regulada, recebida em decorrência da operação dessas usinas que estão no Brasil.

Os 20% restantes são provenientes de contribuições dos rios que desembocam no reservatório, ausentes durante boa parte do ano. Esse percentual praticamente desapareceu por falta de chuva. Os meses chuvosos são normalmente registrados entre outubro e abril, mas há três anos que não chove.

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