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COMÉRCIO EXTERIOR

Novo Porto Seco de Foz preocupa Puerto Iguazú por possível perda de empregos

Empresários argentinos estimam que cerca de 500 famílias dependem das operações de cargas que poderão ser transferidas para o novo terminal brasileiro.

Publicado em 21/09/2026 às 22:50
Atualizado em

(Foto: Divulgação)

A implantação de uma aduana integrada entre Brasil e Argentina no novo Porto Seco de Foz do Iguaçu está causando preocupação entre empresários de Puerto Iguazú. O temor é que a transferência de parte das operações de comércio exterior para o lado brasileiro reduza empregos e afete empresas que atualmente vivem da movimentação de caminhões e cargas na cidade argentina.

O novo Porto Seco está sendo construído às margens da BR-277 e terá 550 mil metros quadrados, quase três vezes a área da estrutura atual. A capacidade prevista é de até 2 mil caminhões por dia. O projeto também prevê a ampliação do armazém alfandegado de 2 mil para 7 mil metros quadrados.

Uma das principais mudanças será justamente a integração dos controles entre Brasil e Argentina. Representantes dos dois países já trabalham na preparação de uma Área de Controle Integrado no novo complexo. Em agosto, uma reunião bilateral realizada em Foz mapeou os procedimentos de exportação argentina e importação brasileira que deverão fazer parte do novo modelo.

Preocupação em Puerto Iguazú

Segundo Rodrigo Blanco, presidente da Câmara de Comércio de Puerto Iguazú, a cidade argentina possui atualmente mais de 40 despachantes aduaneiros, além de empresas de logística, trabalhadores responsáveis pela movimentação de mercadorias, estacionamentos e estabelecimentos de alimentação ligados ao fluxo do comércio exterior.

A entidade estima que aproximadamente 500 famílias tenham renda ligada direta ou indiretamente a essas atividades e teme os efeitos econômicos caso boa parte das operações passe para Foz do Iguaçu.

Blanco afirma que a preocupação não é com a melhoria e agilização da fronteira, mas com a concentração das operações de cargas no lado brasileiro. O assunto já vinha sendo discutido pela Câmara de Comércio de Puerto Iguazú, que aponta a transferência das atividades para o novo Porto Seco como uma preocupação para 2027.

Brasil e Argentina já preparam integração

A mudança não está apenas no campo das propostas. Brasil e Argentina já começaram a organizar como será o funcionamento do sistema.

Em 27 de agosto, representantes dos dois países participaram de uma reunião em Foz do Iguaçu para mapear todo o caminho percorrido pelas cargas que saem da Argentina e entram no Brasil. O levantamento é uma etapa preparatória para a futura Área de Controle Integrado Brasil-Argentina.

Também está previsto o levantamento do fluxo contrário, das exportações brasileiras para a Argentina. As informações serão usadas na elaboração das rotinas aduaneiras que deverão ser adotadas quando a nova estrutura começar a funcionar.

A integração significa que procedimentos hoje realizados separadamente nos dois países poderão ser concentrados em uma mesma estrutura. O projeto prevê atuação conjunta de autoridades brasileiras e argentinas e integração dos controles relacionados ao comércio exterior.

Atualmente, a Receita Federal já permite o trânsito de mercadorias sob controle aduaneiro entre a Ponte Tancredo Neves, ligação de Foz do Iguaçu com Puerto Iguazú, e o Porto Seco brasileiro.

Novo Porto Seco

O novo complexo está sendo construído para substituir a atual estrutura localizada na região do bairro Três Lagoas. Segundo a Multilog, responsável pelo empreendimento, o terminal terá 550 mil metros quadrados e capacidade para movimentar até 2 mil caminhões diariamente.

Além da área maior, estão previstos portões automatizados, equipamentos para inspeção de cargas, sistemas de leitura de placas, áreas para produtos que precisam de temperatura controlada e espaços destinados aos motoristas.

O movimento ajuda a dimensionar a importância econômica da estrutura. O número de veículos de carga que passaram pelo Porto Seco chegou a 215 mil em 2025. Somente até julho de 2026, foram cerca de 120 mil caminhões.

A expectativa do lado brasileiro é reduzir o tempo de espera, ampliar a capacidade de processamento das cargas e retirar parte do tráfego pesado da área urbana. Do lado argentino, empresários de Puerto Iguazú agora buscam discutir como a integração será implantada e quais serão os impactos para trabalhadores e empresas que atualmente dependem das operações aduaneiras na cidade.

Fonte: Portal da Cidade

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