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“É forte demais”, diz mãe de bebê “morto” duas vezes em Foz do Iguaçu

Em entrevista a Revista Crescer, a mãe do bebê contou detalhes de como tudo aconteceu.

Postado em 18/01/2020 às 10:27 |

(Foto: Arquivo Pessoal)

Gabriela Moraes Schoenacher, 30 anos, e o marido, Moisés Sant’Anna, 34, perderam o filho Theo, de apenas 48 dias. E o sofrimento dos pais foi em dobro. O bebê foi declarado morto pelo Hospital Unimed em Foz do Iguaçu. O atestado de óbito declarava que o menino tinha morrido por broncoaspiração, às 16h30 do último domingo (12/01/2020). À dor dessa perda devastadora, somou-se outra: o agente funerário responsável por recolher o corpo encontrou a criança se mexendo, cinco horas depois, no necrotério do hospital.

“Sofrer essa dor imensa duas vezes é forte demais”, afirmou Gabriela em entrevista à revista Crescer.

Segundo a mãe, Theo não tinha problemas, nasceu perfeito, cresceu bem no primeiro mês, mas não ganhou muito peso. “Por orientação do pediatra, estávamos entrando com complementação. Era apenas para ele recuperar o peso que não ganhou. No sábado [11/01/2020] à noite e no domingo [12/01/2020] de manhã, ao tomar a fórmula, ele vomitou e apresentou desconforto”, relatou Gabriela.

A criança deu entrada no hospital às 13h de domingo. Os médicos receitaram um remédio para vômito e soro para hidratar. “Enquanto tomava o soro, ele parou de respirar no meu colo. Tentaram reanimá-lo por 40 minutos, mas ele não resistiu e, às 16h30 foi declarado o óbito.”

Ainda de acordo com Gabriela, o agente funerário que foi buscá-lo viu que o bebê ainda vivo. “Foi ele que entrou em contato com a minha avó, que me ligou. O agente encontrou ele se mexendo, enrolado em um pano”, disse. Theo chegou a ser levado novamente à UTI, mas declarado morto – pela segunda vez – no dia seguinte.

O agente funerário alegou que um segurança já havia visto movimento duas horas antes e avisado um enfermeiro. Este, por sua vez, disse que seria um espasmo, reação à adrenalina tomada durante a reanimação. “Estamos sem acreditar. Theo era nosso primeiro filho. Eu já havia perdido um bebê em uma gravidez ectópica no ano passado”, disse Gabriela.

“Tem muita gente achando que foi um milagre, não mau atendimento. Eu quero justiça contra a instituição, para que ninguém mais passe por isso. Sofrer essa dor imensa duas vezes é forte demais”, finalizou.

O que dizem os hospitais?

A Unimed Foz do Iguaçu se pronunciou através de um comunicado em sua página na internet: "A situação é inédita em toda a história da Cooperativa Médica em Foz do Iguaçu e, por respeito a comunidade iguaçuense, informa que está envidando todos os esforços para o completo esclarecimento dos fatos, para que não sejam tomadas conclusões precipitadas nem julgamentos indevidos sobre qualquer profissional que tenha atuado no caso". A Unimed confirmou que a criança foi atendida no Hospital e disse que assim que forem efetivadas as apurações necessárias divulgará as devidas providências sobre o caso.

Já a Fundação de Saúde Itaiguapy, que administra o hospital Ministro Costa Cavalcanti (HMCC), confirmou, por meio da assessoria de imprensa, que o bebê deu entrada na noite de domingo ainda com vida. Mas, infelizmente, por conta do estado grave, a criança acabou morrendo na manhã de segunda-feira (13). "Diante do grave quadro clínico em que o paciente se encontrava quando foi admitido na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI) desta Instituição, a equipe tomou todas as medidas cabíveis para salvar a vida do bebê, porém, o bebê foi à óbito e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para verificação da Causa Mortis", afirmaram.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil do Paraná informou que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias e que todas as medidas cabíveis já estão sendo tomadas.

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