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Transporte coletivo

MPT apura denúncias de perseguição sindical e assédio contra trabalhadores da VISAC

Sindicato afirma que funcionários têm medo de denunciar situações internas por receio de retaliações.

Publicado em 21/05/2026 às 10:21
Atualizado em

(Foto: Visac/Arquivo)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga denúncias envolvendo supostas práticas de perseguição sindical, assédio moral e pressão contra trabalhadores da VISAC, concessionária responsável pelo transporte coletivo urbano de Foz do Iguaçu.

A investigação teve início após denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (SITRO-FI). Segundo a entidade, funcionários relataram situações de assédio, tratamento desigual entre trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados, além de cobranças consideradas abusivas relacionadas a acidentes com veículos da frota.

De acordo com o sindicato, muitos trabalhadores evitam formalizar denúncias por medo de sofrer represálias dentro da empresa. A entidade afirma que parte dos funcionários prefere procurar o sindicato presencialmente, evitando até o envio de mensagens por receio de exposição ou perda do emprego.

O SITRO-FI também sustenta que trabalhadores ligados ao sindicato estariam sendo prejudicados na distribuição de horários e escalas, enquanto funcionários não sindicalizados receberiam melhores condições de trabalho e premiações internas. Segundo a entidade, dirigentes sindicais seriam os principais alvos de perseguição dentro da empresa.

Documentos mostram que o MPT encaminhou questionamentos a trabalhadores da empresa para verificar se havia conhecimento sobre punições relacionadas à filiação sindical, orientação para afastamento do sindicato e possíveis retaliações contra dirigentes sindicais.

No documento, assinado pelo procurador do Trabalho Fabrício Gonçalves de Oliveira, o órgão informa que as respostas prestadas pelos funcionários permaneceriam sob sigilo.

Nos últimos dias a VISAC lançou um canal interno de denúncias para receber relatos de assédio moral, assédio sexual, discriminação, racismo e outras irregularidades. Segundo a empresa, a ferramenta aceita denúncias anônimas e garante confidencialidade das informações.

O sindicato, no entanto, afirma que os trabalhadores não demonstram confiança no sistema por ele ser administrado pela própria concessionária. 

Procurada pela reportagem, a VISAC confirmou a existência de um inquérito civil em andamento no Ministério Público do Trabalho.

Em nota, a empresa informou que “existe um inquérito civil em trâmite perante o Ministério Público do Trabalho, originado por uma denúncia feita pelo sindicato, o qual tramita em segredo de justiça”.

A concessionária não comentou os demais questionamentos relacionados às denúncias apresentadas pelo sindicato e aos relatos de medo de retaliação entre os trabalhadores.

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