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VIDA SELVAGEM

Onça que circula entre Argentina e Brasil é registrada pela primeira vez no PNI

Manchita é filha de Kunumi, onça monitorada na região de fronteira, e foi flagrada investigando sinais deixados por outra fêmea na floresta.

Publicado em 16/09/2026 às 13:28

(Foto: Onças do Iguaçu/Reprodução)

Uma nova onça-pintada que já era acompanhada no lado argentino da fronteira foi registrada pela primeira vez no Brasil. Manchita foi flagrada por uma câmera de monitoramento no Parque Nacional do Iguaçu e reforça a importância da área protegida compartilhada entre os dois países para a conservação da espécie.

Manchita é filha de Kunumi, uma onça conhecida por circular entre Brasil e Argentina. A jovem já havia sido identificada por equipes da Aves Argentinas e do Proyecto Yaguareté, que trabalham com o monitoramento da espécie no país vizinho.

Agora, o primeiro registro em território brasileiro indica que a filha pode estar seguindo os passos da mãe e utilizando áreas dos dois lados da fronteira.

Comportamento curioso chamou atenção

Além da chegada de Manchita ao lado brasileiro, as imagens registraram um comportamento interessante. No vídeo, a onça se aproxima de uma árvore e começa a cheirar atentamente o local.

No dia anterior, outra fêmea monitorada, chamada Uayara, havia passado pelo mesmo ponto.

Depois de sentir o cheiro da árvore, Manchita levanta a cabeça e abre levemente a boca. Embora pareça uma expressão curiosa, o comportamento tem uma função importante para os felinos.

Ele é conhecido como reflexo de Flehmen.

Ao fazer esse movimento, a onça direciona moléculas de odor para o órgão vomeronasal, estrutura especializada na identificação de sinais químicos deixados por outros animais.

Essa espécie de leitura química permite obter informações sobre quem esteve naquele local, incluindo sexo, condição reprodutiva e outras características importantes para a comunicação entre os animais.

Onças não reconhecem fronteiras

O registro de Manchita também mostra como as áreas naturais do Brasil e da Argentina funcionam de maneira integrada para a fauna.

O Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, está conectado a áreas protegidas argentinas que formam um dos principais remanescentes de Mata Atlântica da região.

Para animais que percorrem grandes territórios, como a onça-pintada, a fronteira entre os países não representa uma barreira natural. O deslocamento entre os dois lados permite que os indivíduos encontrem alimento, parceiros e novos territórios.

O acompanhamento desses animais ajuda pesquisadores a entender como as onças utilizam a floresta e quais áreas são fundamentais para manter a população da espécie na região.

Com a primeira aparição de Manchita no Brasil, uma nova integrante passa a fazer parte dos registros de onças que utilizam a floresta de forma binacional.

Fonte: Portal da Cidade

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