Durante décadas, centenas de famílias viveram nas tradicionais casas da Vila A, em Foz do Iguaçu, sem possuir oficialmente a propriedade dos imóveis. Agora, esse cenário começa a mudar. O programa de venda e leilão de residências da Itaipu Binacional já permitiu que mais de 400 famílias conquistassem a escritura definitiva de suas casas.
Os números mostram o avanço da iniciativa. Até o momento, foram concluídas 406 negociações, sendo 212 por venda direta aos moradores e outras 194 por meio de leilões públicos. O total representa quase metade dos 958 imóveis disponibilizados pela binacional no início do programa.
Para muitas famílias, a conquista vai além de um documento. É a realização de um sonho construído ao longo de décadas. Há moradores que viveram praticamente a vida inteira nos imóveis e agora finalmente podem chamá-los oficialmente de seus.
As residências da Vila A foram construídas entre as décadas de 1970 e 1980 para abrigar trabalhadores envolvidos na construção da Usina de Itaipu. Com o fim das obras, os imóveis passaram a ser ocupados por servidores, entidades e famílias ligadas a diferentes instituições, mas permaneceram sob propriedade da binacional.
Ao longo dos anos, os moradores pagaram apenas taxas de ocupação, sem direito à escritura. A possibilidade de compra era uma reivindicação histórica da comunidade e dependia de ajustes legais para se tornar viável.
Segundo a Itaipu, o programa foi estruturado para beneficiar principalmente os ocupantes regulares dos imóveis. Quem reside legalmente nas casas, está em dia com as obrigações e não possui outro imóvel em Foz do Iguaçu pode receber descontos significativos.
Dependendo da situação do comprador, a redução no valor final pode chegar a 45% em relação à avaliação original do imóvel. Em alguns casos, uma casa avaliada em mais de R$ 700 mil pode ser adquirida por pouco mais de R$ 400 mil.
Além dos descontos, os compradores podem utilizar financiamento habitacional e recursos do FGTS, facilitando o acesso à propriedade definitiva.
Enquanto os moradores regularizam sua situação, as casas desocupadas são destinadas a leilões públicos. Os certames são abertos à participação da população e seguem regras de transparência e governança. A expectativa da Itaipu é realizar novos leilões ao longo de 2026.
Mas o programa não se resume à venda dos imóveis. Todo o dinheiro arrecadado está sendo direcionado para a construção de novas moradias populares destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade social.
Em Foz do Iguaçu, o Projeto Moradias já entregou 52 unidades habitacionais. Outras 60 casas estão em fase final de construção e devem ser entregues ainda neste mês. Um terceiro lote, com previsão de 160 moradias, aguarda etapas de regularização para o início das obras.
A iniciativa também já foi ampliada para outras cidades do Paraná. Em Castro, nos Campos Gerais, um novo convênio prevê a construção de mais 160 habitações populares.
A estratégia cria um ciclo que une regularização fundiária e habitação social. Enquanto famílias da Vila A conquistam a escritura definitiva, os recursos gerados ajudam a oferecer moradia digna para quem ainda busca um lugar para recomeçar.