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PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Primeiro Mercado Municipal de Foz pode ser tombado após 74 anos de história

Prédio de 1952, hoje usado pelo Fozhabita, já está sob proteção e terá reformas com regras para preservar características originais.

Publicado em 20/08/2026 às 00:06

(Foto: PMFI/Arquivo)

Um prédio construído há 74 anos e que fez parte dos primeiros capítulos da expansão urbana de Foz do Iguaçu está a caminho de ganhar proteção definitiva. O imóvel que abrigou o primeiro Mercado Municipal da cidade, em 1952, está em processo de tombamento como patrimônio histórico e cultural.

Localizado na Rua Quintino Bocaiúva, o prédio é utilizado atualmente pelo setor técnico do Fozhabita. Enquanto o processo não é concluído, o imóvel já está submetido às mesmas regras de preservação aplicadas aos bens oficialmente tombados.

A construção foi erguida em 1952, durante a gestão do então prefeito Guaraná de Menezes, para receber o primeiro Mercado Municipal de Foz do Iguaçu. Nas décadas seguintes, o endereço ganhou outras funções e acompanhou diferentes momentos da história da cidade.

Nos anos 1990, o prédio abrigou a Fundação Cultural. Também passaram pelo local a Companhia de Desenvolvimento de Foz do Iguaçu, a Codefi, e a Casa do Teatro. Atualmente, parte da estrutura administrativa do Fozhabita funciona no imóvel.

Reforma terá de preservar características históricas

Mesmo antes da decisão definitiva sobre o tombamento, qualquer intervenção no prédio precisa respeitar critérios de preservação. Neste mês, o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, o CEPAC, autorizou uma série de obras no imóvel, mas estabeleceu condições para evitar a perda de características consideradas históricas.

No telhado, por exemplo, a reforma deverá preservar as telhas cerâmicas. Calhas, condutores e rufos poderão ser recuperados. As portas também poderão ser substituídas, desde que sejam mantidos o formato e a madeira como material.

Os pisos existentes deverão ser preservados. Nos pontos onde o piso original de madeira foi retirado ao longo dos anos, a orientação é pela recuperação do material.

A fachada poderá receber reparos e nova pintura, mas deverá manter a paleta de cores atual ou, se possível, recuperar as tonalidades originais do prédio.

Uma das mudanças previstas envolve a identificação visual do Fozhabita. A logomarca atualmente pintada diretamente na fachada deverá ser retirada. A identificação poderá ser transferida para uma placa ou totem instalado na área externa.

PVC poderá dar lugar à madeira

O forro também poderá ser substituído. O conselho recomenda, porém, que seja utilizada madeira em vez de PVC, buscando uma solução mais compatível com as características históricas da construção.

Elementos acrescentados ao prédio ao longo dos anos e que não façam parte da estrutura original poderão ser retirados, desde que não sejam essenciais para a edificação.

A parte elétrica também poderá passar por adequações. Entre as medidas previstas está a preparação da estrutura para permitir, futuramente, a instalação de iluminação voltada à valorização da fachada.

As regras foram estabelecidas na Resolução nº 008, de 7 de agosto de 2026, após análise da Comissão Permanente de Preservação e Fiscalização.

Proteção já está valendo

Embora o tombamento ainda não tenha sido concluído, o prédio já recebe proteção especial. Durante a tramitação, o imóvel fica sujeito ao mesmo regime de preservação aplicado a um bem tombado, impedindo intervenções que possam descaracterizá-lo.

A decisão final caberá ao CEPAC. Caso o tombamento seja confirmado, o antigo Mercado Municipal passará oficialmente a integrar o conjunto de imóveis protegidos pelo patrimônio cultural de Foz do Iguaçu, preservando uma construção que atravessou mais de sete décadas e diferentes fases da história da cidade.

Fonte: Portal da Cidade

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