Portal da Cidade Foz

Planejamento Fiscal

Reforma Tributária leva empresários a rever sistemas, custos e modelo de gestão

Oficinas gratuitas promovidas pela De Paula Contadores orientaram empresários sobre decisões que começam a impactar os negócios ainda em 2026.

Publicado em 28/07/2026 às 00:02

(Foto: De Paula Contadores/Divulgação)

A Reforma Tributária, que será implementada gradualmente até 2033, já começa a exigir mudanças práticas das empresas brasileiras. Embora a transição seja de longo prazo, diversas obrigações entram em vigor a partir de 2026, levando empresários a revisar processos fiscais, sistemas de gestão, emissão de documentos e estratégias tributárias para evitar prejuízos e manter a competitividade.

Diante desse cenário, a De Paula Contadores, de Foz do Iguaçu, realizou uma série de oficinas gratuitas voltadas a empresários e gestores da região. Os encontros foram conduzidos pela CEO da empresa e especialista em tributação, Elizangela de Paula Kuhn, em parceria com o especialista tributário Maicon Lucas dos Santos Peixoto.

O objetivo foi esclarecer como as novas regras devem impactar o dia a dia das empresas e quais decisões precisam ser tomadas nos próximos meses para enfrentar o período de transição do novo sistema tributário.

Escolhas feitas em 2026 podem influenciar o futuro das empresas

Entre os principais temas abordados esteve a opção pelo Simples Nacional Híbrido, uma escolha que deverá ser definida até setembro de 2026 e que poderá afetar diretamente a competitividade das empresas a partir de 2027.

Segundo os especialistas, não existe uma solução única para todos os negócios. A decisão dependerá do perfil de cada empresa, da relação com fornecedores, da carteira de clientes e da capacidade de aproveitar os novos créditos tributários previstos na legislação.

Para Elizangela de Paula Kuhn, o planejamento deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade. "A Reforma Tributária exige decisões que impactam diretamente a gestão das empresas. Não existe uma fórmula única para todos os negócios. A escolha pelo melhor regime dependerá da realidade de cada empresa, dos seus fornecedores, dos clientes e da capacidade de aproveitar os créditos tributários. Por isso, essas decisões precisam ser tomadas com base em dados e planejamento", afirmou.

Novo modelo de créditos muda a gestão das empresas

Outro assunto que despertou atenção dos participantes foi o novo sistema de créditos da CBS e do IBS, considerado uma das principais mudanças da Reforma Tributária.

Com o novo modelo, os créditos deixam de estar concentrados apenas na compra de mercadorias e passam a abranger uma série de despesas operacionais, como serviços de contabilidade, marketing, aluguel, transporte e outros custos, desde que cumpram os requisitos previstos na legislação.

Por outro lado, despesas com folha de pagamento continuam sem gerar créditos tributários, o que pode levar empresas a reavaliar processos internos e modelos de contratação.

Os especialistas também alertaram que erros em cadastros de produtos ou na emissão de documentos fiscais poderão resultar na perda definitiva de créditos, aumentando o custo das operações.

Tecnologia e qualificação ganham papel estratégico

Além da revisão tributária, a adaptação ao novo sistema exigirá investimentos em tecnologia e capacitação.

Durante as oficinas, empresários foram orientados a iniciar o quanto antes o diálogo com fornecedores de sistemas de gestão, já que os programas precisarão ser atualizados para atender às novas exigências fiscais.

Também foi destacada a importância de treinar equipes das áreas fiscal, financeira e de compras, responsáveis por informações que terão impacto direto na carga tributária das empresas.

Empresas já começaram a se preparar

Uma das empresas que já iniciou esse processo é a Churrascaria Búfalo Branco, tradicional em Foz do Iguaçu.

Segundo o sócio-proprietário, Laercio Welter Machado, a preparação começou ainda em 2025, com investimentos em tecnologia, atualização de cadastros e treinamento das equipes. "Nós começamos essa preparação ainda no ano passado. Estamos revisando sistemas, atualizando cadastros, mantendo contato permanente com os fornecedores de software e participando de todas as atualizações possíveis. Precisamos estar 100% preparados, porque nessa reforma não haverá mais espaço para improvisos. Acreditamos que essas novas regras também vão proporcionar uma concorrência mais equilibrada para o nosso setor", afirmou.

Período de transição exigirá atenção

Apesar da promessa de simplificação do sistema tributário ao final da transição, os especialistas destacam que os próximos anos serão marcados por um cenário mais complexo, com a convivência entre regras antigas e novas.

Isso exigirá controles paralelos, atualização constante da legislação e acompanhamento técnico permanente para evitar falhas que possam gerar custos adicionais.

A expectativa é que, ao fim da implementação da reforma, o país tenha um sistema tributário mais simples, com legislação unificada e maior transparência. Até lá, porém, a recomendação é que empresas iniciem a preparação o quanto antes para reduzir riscos e aproveitar as oportunidades trazidas pelas novas regras.

Fonte: Portal da Cidade

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp