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Tecnologia

Por que o Brasil pressiona por soberania digital e quer reduzir dependência das big techs

País amplia investimentos em cibersegurança, infraestrutura nacional e formação de profissionais para proteger dados estratégicos.

Publicado em 27/07/2026 às 00:14
Atualizado em

(Foto: Pixabay/Ilustrativa)

Já faz tempo que as tecnologias digitais fazem parte do dia a dia dos brasileiros. Atualmente, o Brasil é um dos países mais digitalizados da América Latina. Além disso, lidera o uso das redes sociais e figura entre os maiores mercados de comércio eletrônico da região.

Apesar dessa forte adesão às tecnologias digitais, o país ainda enfrenta um problema grave: a dependência de big techs e de servidores internacionais para o armazenamento de dados, inclusive informações sigilosas do Estado.

O cenário é ainda mais delicado quando se trata de empresas norte-americanas. Isso porque existem leis nos Estados Unidos que autorizam o governo do país a requisitar acesso a dados armazenados por empresas americanas, mesmo quando esses dados estão hospedados fora do território norte-americano.

Diante desse contexto, modernizar a infraestrutura digital brasileira, com a criação de servidores próprios e a redução da dependência de empresas do Vale do Silício, tornou-se uma questão de soberania nacional. No entanto, há outros fatores que reforçam essa necessidade.

Corrida digital

Em um cenário global cada vez mais instável, a segurança cibernética passou a ser tão estratégica quanto a segurança militar. No Brasil, tanto as Forças Armadas quanto diferentes órgãos de segurança pública investem em cibersegurança por meio do PAC Militar e do ComDCiber (Comando de Defesa Cibernética).

Esses investimentos buscam conter o avanço dos ataques cibernéticos contra órgãos públicos. A população também tem sido alvo frequente dessas ações, com cerca de dois ataques a smartphones por minuto. Nesses casos, ferramentas como o Incogni, capaz de remover rastros digitais dos usuários, e redes privadas virtuais (VPNs) ajudam a reduzir os riscos.

Na esfera pública, porém, o desafio é muito mais complexo. Os números demonstram esse cenário:

  • Aumento de 300% no número de ataques no último ano;
  • Média superior a 4.600 ataques por mês;
  • Cerca de 1.500 notificações de ataques contra o Gabinete de Segurança Institucional somente no ano passado.

Além disso, a cibersegurança brasileira enfrenta escassez de profissionais qualificados, falta de órgãos de controle mais eficazes e insuficiência de infraestrutura de servidores no país.

Nesse contexto, a ampliação dos serviços públicos digitais expõe ainda mais a população a diferentes tipos de ameaças. Casos recentes de invasão aos sistemas da Defesa Civil para o disparo de alertas falsos evidenciam a fragilidade da estrutura nacional de segurança digital.

Investimentos públicos no setor

O governo brasileiro vem investindo fortemente para reverter esse cenário. Segundo a Brasscom, o Brasil deverá investir cerca de R$ 105 bilhões até 2028 para fortalecer a estrutura de cibersegurança do país.

Esse volume de investimentos representa um aumento de 43,8% em relação ao total aplicado nos três anos anteriores. Embora ainda existam desafios importantes, alguns indicadores positivos já começam a surgir:

  • Crescimento anual de 16,1% no número de profissionais especializados;
  • Aumento de 15,3% nas formações na área;
  • Formação de 30 mil novos profissionais por meio do programa Hackers do Bem.

Conclusão


Para enfrentar o crescimento das ameaças cibernéticas contra dados públicos e informações sigilosas, não basta utilizar softwares de ponta. É necessário investir em uma infraestrutura nacional que reduza a dependência de empresas estrangeiras e diminua a exposição a interferências externas.

Além disso, é fundamental ampliar os investimentos na formação de novos profissionais para suprir a atual escassez de mão de obra especializada e fortalecer a capacidade de defesa do país contra ataques cibernéticos.

Fonte: Assessoria

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