Portal da Cidade Foz

LAUDO DA PERÍCIA

Seis meses após explosão em apartamento, perícia aponta origem, mas causa segue incerta

Laudo identificou vazamento entre a válvula e o fogão. Acidente matou Eduardo Werneck e mantém cinco apartamentos interditados na Vila Yolanda.

Publicado em 28/08/2026 às 10:01
Atualizado em

(Foto: Portal da Cidade)

Seis meses após a explosão que destruiu um apartamento e atingiu imóveis vizinhos em um dos blocos de um condomínio na Vila Yolanda, em Foz do Iguaçu, a perícia conseguiu identificar onde e como o acidente começou. A principal dúvida, porém, continua sem resposta: o que provocou o vazamento de gás?

O laudo da Polícia Científica apontou a cozinha do apartamento como o centro da explosão. Segundo os peritos, uma mistura de gás de cozinha e ar ficou acumulada no imóvel e explodiu na madrugada de 26 de fevereiro.

O vazamento foi localizado no trecho entre a válvula de bloqueio e o fogão. Apesar disso, a perícia não conseguiu determinar se houve uma falha técnica no equipamento ou uso inadequado. O documento descartou vazamento na rede interna de gás do condomínio.

Com 118 páginas e mais de 142 imagens, o laudo reconstrói o que aconteceu dentro do apartamento. Um scanner 3D foi utilizado para mapear o imóvel e reproduzir o cenário encontrado depois do acidente.

A análise mostrou que a onda de pressão partiu da cozinha e se espalhou pelos outros cômodos. No quarto, uma das paredes foi completamente arrancada e lançada para fora do prédio.

Novas diligências foram solicitadas

Como a causa exata do vazamento não foi esclarecida, o Ministério Público pediu uma complementação do laudo. Pelo menos dois moradores do condomínio ainda deverão ser ouvidos durante a investigação.

O órgão também solicitou a inclusão dos documentos produzidos pelo Corpo de Bombeiros, tanto sobre o atendimento da ocorrência quanto sobre o plano de segurança contra incêndio do prédio. A medida deverá ajudar a verificar se as exigências de prevenção estavam em ordem.

Segundo o Ministério Público, o objetivo é reunir o maior número possível de informações antes de decidir quais providências serão tomadas. Não há prazo definido para a conclusão das diligências e do inquérito.

A Polícia Civil informou que não se manifestaria sobre o caso neste momento.

Explosão matou jovem de 31 anos

A explosão ocorreu durante a madrugada e provocou um incêndio que levou cerca de três horas e meia para ser controlado. Eduardo Werneck sofreu queimaduras em aproximadamente 90% do corpo.

O jovem foi transferido para uma unidade especializada no atendimento a queimados, em Curitiba, mas morreu uma semana depois.

Cinco apartamentos continuam interditados

Além da investigação sem conclusão, a explosão ainda interfere na rotina dos moradores. Cinco apartamentos do bloco permanecem interditados, sendo quatro no mesmo andar onde ocorreu a explosão e um localizado no pavimento inferior.

Segundo a Defesa Civil, as unidades somente poderão ser liberadas depois da apresentação de projetos de reforma e reconstrução assinados por um responsável técnico.

O condomínio informou que o projeto estrutural está na fase inicial de elaboração. Após a conclusão, o documento deverá passar pela avaliação da seguradora. Em seguida, será necessário solicitar o alvará de reforma à prefeitura e apresentar a documentação à Defesa Civil, que fará uma nova vistoria.

Ainda não existe previsão para o início das obras nem para o retorno dos moradores.

Moradores enfrentam gastos e perda de renda

Enquanto aguardam uma solução, alguns proprietários estão pagando aluguel para morar em outros imóveis. Outros utilizavam os apartamentos para locações por temporada e estão há seis meses sem essa fonte de renda.

Uma das moradoras havia preparado o imóvel para viver com o marido após o casamento, mas ainda não conseguiu ocupá-lo. O apartamento, localizado em frente ao de Eduardo, teve cerca de 80% da estrutura interna atingida.

Por meio de advogado, ela demonstrou preocupação com a demora na resolução dos danos e questionou a falta de informações sobre os projetos e o processo junto à seguradora.

A administradora reconheceu que houve demora no envio dos documentos, mas atribuiu o atraso à quantidade de unidades atingidas, ao volume de informações exigidas e à complexidade do caso. Segundo a administração, a análise da seguradora está na fase final.

A família de Eduardo também aguarda uma definição sobre a cobertura do seguro. De acordo com as advogadas, a falta de resposta impede intervenções no apartamento e provoca reflexos no inventário do jovem. Enquanto isso, os familiares continuam pagando taxas e impostos relacionados ao imóvel, que permanece destruído.

Fonte: Portal da Cidade

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp