Rede bancária
Foz do Iguaçu perdeu 10 agências em dez anos e é a 5ª do Paraná em fechamentos
Redução ocorreu entre 2015 e 2025, período em que 667 unidades encerraram as atividades no estado, segundo levantamento do Dieese.
Publicado em 24/08/2026 às 08:00
Foz do Iguaçu perdeu dez agências bancárias entre 2015 e 2025 e aparece entre as cinco cidades do Paraná com o maior número de unidades fechadas no período. Os dados fazem parte de um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese.
A cidade ocupa a quinta posição no ranking estadual de fechamentos. Curitiba aparece na liderança, com 192 agências encerradas, seguida por Londrina, com 37, Maringá, com 27, e Cascavel, com 15.
Em todo o Paraná, 667 agências fecharam as portas durante a década. A redução atingiu 237 municípios e deixou cerca de 176 cidades paranaenses sem nenhuma unidade bancária física em funcionamento até o fim de 2025.
O avanço dos serviços digitais está entre os principais fatores associados à mudança. Dados da Federação Brasileira de Bancos, a Febraban, mostram que aproximadamente 83% das transações bancárias realizadas no país em 2025 ocorreram pelo celular ou internet banking. Somente pelo celular foram registradas 187,5 bilhões de operações.
Para a administradora Alexandra Andrade de Almeida Cardoso, professora do Centro Universitário Integrado, a redução também está ligada à mudança na estratégia dos bancos. Com operações simples migrando para os aplicativos, as unidades físicas passaram a concentrar atendimentos mais complexos.
Segundo a especialista, manter uma agência envolve despesas com aluguel, funcionários, segurança, equipamentos e outros custos operacionais. A digitalização permite que parte desses serviços seja realizada remotamente, diminuindo a necessidade de estruturas físicas.
A transformação, no entanto, pode dificultar o acesso de idosos, beneficiários de programas sociais, moradores de áreas rurais e pessoas com pouca familiaridade com aplicativos. Além da dificuldade para utilizar as plataformas, esses clientes podem enfrentar problemas de conexão, medo de golpes e necessidade de ajuda para realizar operações.
“A ausência da agência física pode aumentar o custo de acesso ao sistema financeiro. Esse custo pode ser o deslocamento até outra cidade, o tempo perdido e até a necessidade de depender de terceiros”, afirma Alexandra.
No Brasil, 2.649 municípios não tinham agência bancária ao fim de 2025. Essas cidades reuniam cerca de 19,6 milhões de habitantes. No Paraná, aproximadamente 450 mil pessoas viviam em municípios sem atendimento bancário físico.
Parte dessa demanda passou a ser atendida por caixas eletrônicos, casas lotéricas, correspondentes bancários e cooperativas de crédito. Segundo o Sistema Ocepar, as cooperativas estão presentes em 376 dos 399 municípios paranaenses.
Mesmo com o crescimento dos aplicativos, especialistas avaliam que o atendimento presencial continua importante, principalmente em decisões que envolvem crédito, investimentos e movimentações de maior valor. O desafio, segundo eles, é ampliar a tecnologia sem afastar quem ainda depende da orientação direta de um profissional.
Fonte: Portal da Cidade
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