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Cheia do Rio Paraná

Após atingir pico previsto, Rio Paraná pode começar a baixar, mas exige cautela

Itaipu prevê redução gradual do nível do rio, mas alerta para novas chuvas. Cheia já obrigou famílias a deixarem suas casas na fronteira.

Publicado em 15/10/2026 às 20:55

(Foto: William Brisida/Itaipu Binacional)

(Foto: William Brisida/Itaipu Binacional)

O Rio Paraná pode começar a apresentar uma leve redução no nível da água após atingir, nesta quinta-feira (15), o pico previsto para a atual frente de cheia. A informação foi divulgada pela Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional, que mantém o monitoramento da situação em Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai.

Na estação de monitoramento Puente de la Amistad, localizada na região da Ponte Internacional da Amizade, o rio chegou a 120,81 metros acima do nível do mar. A expectativa é de que, nos próximos dias, o nível apresente uma tendência de queda, com oscilações previstas entre 120,44 e 121,66 metros.

Apesar da possibilidade de melhora, a Itaipu reforça que ainda é necessário manter a cautela. Isso porque há previsão de novas chuvas na região, o que pode provocar mudanças no comportamento do rio e alterar as projeções.

Segundo o coordenador da Comissão Especial de Cheias, o engenheiro Paulo Zanelli Jr., as previsões são elaboradas com informações de diferentes centros meteorológicos e consideram vários cenários.

O engenheiro explica que existe um grau de incerteza nas previsões, já que o volume de chuva registrado nem sempre corresponde ao esperado. Por isso, as equipes precisam estar preparadas para diferentes situações, mesmo diante da possibilidade de redução da cheia.

Na manhã desta quinta-feira, representantes da Itaipu, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Marinha se reuniram para avaliar a situação e alinhar as medidas de acompanhamento e segurança.

Cheia já obrigou famílias a deixarem suas casas

Em Foz do Iguaçu, cinco famílias precisaram deixar suas residências na Vila Bancária, uma das áreas afetadas pela elevação do Rio Paraná. Segundo a Itaipu, não foram registrados novos alagamentos em casas da região nesta quinta-feira.

Outros locais atingidos foram o Porto de Areia, às margens do Rio Iguaçu, e o Cataratas Iate Clube, localizado às margens do Rio Paraná.

A situação também preocupa no lado paraguaio da fronteira. Em Ciudad del Este, continuam as ações de assistência e retirada preventiva de moradores dos bairros San Rafael e San Agustín.

Até o momento, mais de 600 pessoas foram transferidas para locais seguros, com apoio da Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu Binacional.

Vertedouro de Itaipu liberou 12,6 milhões de litros de água por segundo

A força da água também chamou a atenção no vertedouro da usina de Itaipu nesta quinta-feira.

Durante a manhã, por questões operacionais, a hidrelétrica abriu a calha central do vertedouro, que passou a funcionar com duas calhas abertas, a esquerda e a central.

A vazão de vertimento chegou a 12.600 metros cúbicos por segundo, o equivalente a impressionantes 12,6 milhões de litros de água liberados a cada segundo.

A Itaipu explica que a cheia foi provocada pelas chuvas acima do previsto na região do reservatório, na bacia incremental e também na bacia do Rio Iguaçu.

O aumento expressivo da vazão do Iguaçu, que deságua no Paraná abaixo da barragem, dificulta o escoamento da água no encontro dos dois rios. Esse fenômeno, conhecido como efeito de remanso, contribui para elevar o nível do Rio Paraná na região da fronteira.

Embora consiga controlar parte da vazão liberada pelo reservatório, a Itaipu não tem controle sobre as águas do Rio Iguaçu.

Monitoramento continua e população deve acompanhar os alertas

A Itaipu mantém o acompanhamento permanente das condições meteorológicas e hidrológicas para avaliar possíveis mudanças no nível do rio.

De acordo com a empresa, as experiências de grandes cheias registradas em 1983, 1992 e 2014 ajudaram a aprimorar os procedimentos de monitoramento e as medidas de segurança adotadas na região.

A orientação é que moradores de áreas próximas aos rios Paraná e Iguaçu acompanhem os comunicados oficiais e sigam as recomendações da Defesa Civil.

As informações atualizadas sobre a cheia podem ser consultadas no site oficial da Itaipu Binacional, que disponibiliza o Boletim Hidrológico em português e espanhol.

Apesar da expectativa de redução gradual do nível do Rio Paraná, a situação ainda exige atenção, especialmente diante da possibilidade de novas chuvas nos próximos dias.

Fonte: Portal da Cidade

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