Refúgio Biológico
Onça resgatada recebe nome, passa por exames e aguarda decisão para voltar à natureza
Tape'ỹ está em recuperação no Refúgio Biológico da Itaipu. Destino do animal será definido pelo ICMBio após análise dos exames.
Publicado em 28/06/2026 às 16:37
A onça-pintada capturada na manhã deste domingo (28), no bairro Três Lagoas, em Foz do Iguaçu, já está em segurança no Hospital Veterinário do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu Binacional. O animal, um macho adulto de aproximadamente 4 a 5 anos e 75 quilos, passa bem, recebeu atendimento veterinário completo e agora aguarda a definição sobre quando e onde poderá retornar à natureza.
Além dos cuidados médicos, a onça ganhou um nome simbólico. Foi batizada de Tape'ỹ, palavra de origem tupi que significa "aquele que perdeu o caminho", em referência ao trajeto inesperado que a levou até uma área urbana da cidade.
Assim que chegou ao Refúgio Biológico, a equipe veterinária realizou exames clínicos, radiografias, coleta de sangue e de outros materiais biológicos, além de tratar um ferimento superficial nas costas. Segundo a médica-veterinária da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, Aline Luiza Konell, o raio-x descartou a presença de projéteis ou qualquer outra lesão grave que pudesse comprometer a saúde do animal.
Os resultados laboratoriais ainda serão analisados para verificar se a onça apresenta alguma doença infecciosa, inclusive enfermidades que possam ter sido transmitidas por animais domésticos durante sua passagem pela área urbana.
A médica-veterinária Patrícia Costa, do Projeto Onças do Iguaçu, explicou que os machucados encontrados no dorso provavelmente foram causados pelas tentativas de fuga do animal ao bater contra portões e cercas das residências onde passou. Segundo ela, as lesões são superficiais e não representam risco ao estado de saúde da onça.
A definição sobre o destino de Tape'ỹ ficará a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A decisão dependerá da avaliação dos exames e poderá incluir a soltura em uma área adequada, além da possibilidade de instalação de um colar de monitoramento para acompanhar seus deslocamentos.
A coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu, Yara Barros, informou que o animal permanece tranquilo e se recupera normalmente da anestesia utilizada durante a captura.
Outro dado que chamou a atenção da equipe é que Tape'ỹ não corresponde a nenhuma das onças já monitoradas pelo Projeto Onças do Iguaçu. Isso significa que sua origem ainda é desconhecida e também não há confirmação sobre o que motivou sua entrada na área urbana de Três Lagoas.
Segundo a Itaipu, há mais de duas décadas não era registrado um caso semelhante envolvendo uma onça-pintada nas áreas protegidas e no entorno do reservatório. Para os especialistas, o aparecimento do felino também demonstra que os corredores florestais da região permanecem preservados e continuam permitindo o deslocamento da fauna silvestre.
A captura mobilizou equipes da Itaipu Binacional, Projeto Onças do Iguaçu, Proyecto Yaguareté, das polícias Militar e Ambiental, além do apoio dos moradores do bairro. De acordo com os responsáveis pela operação, a colaboração da população foi decisiva para que o resgate ocorresse sem ferimentos graves para o animal e sem colocar pessoas em risco.
Fonte: Portal da Cidade
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