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CONTA MAIS CARA

Custo dos ônibus sobe 16% em Foz, mas número de passageiros cresce apenas 2,9%

Levantamento do Observatório Social mostra que despesas aumentaram mais que a demanda e prefeitura precisa ampliar os repasses.

Publicado em 22/10/2026 às 16:05
Atualizado em

(Foto: Divulgação/Foztrans/Arquivo)

Manter os ônibus circulando em Foz do Iguaçu está cada vez mais caro para a prefeitura. Enquanto o número de passageiros cresceu apenas 2,9%, o custo do transporte coletivo aumentou 16,3% em um ano. Com isso, o município precisa colocar cada vez mais dinheiro no sistema para cobrir as despesas.

Os dados fazem parte de um levantamento divulgado pelo Observatório Social do Brasil em Foz do Iguaçu, que analisou informações oficiais do transporte coletivo entre março e agosto de 2026, comparando os resultados com o mesmo período de 2025.

Segundo o estudo, o valor repassado pela prefeitura para manter o serviço aumentou 37,7% em um ano. Na comparação com 2023, a alta chega a 97,9%. Ao mesmo tempo, a arrecadação do sistema caiu 2,4%.

Prefeitura paga mais da metade da conta

Somente em agosto deste ano, o transporte coletivo custou R$ 6,72 milhões em Foz do Iguaçu. Desse total, R$ 2,85 milhões vieram da arrecadação com passagens, recursos do Estarfi e repasses estaduais.

Os outros R$ 3,87 milhões precisaram ser pagos pela prefeitura, o equivalente a 57,6% de todas as despesas do mês.

Nesse período, os ônibus percorreram aproximadamente 618 mil quilômetros e registraram 1,17 milhão de embarques.

Menos da metade dos passageiros paga passagem

Outro dado que chama a atenção é a redução da quantidade de passageiros pagantes.

Em agosto, dos cerca de 1,17 milhão de embarques registrados, apenas 500.218 tiveram pagamento de tarifa, o equivalente a 42,7% do total.

Os outros 672.224 embarques, ou 57,3%, foram classificados pelo levantamento como gratuidades e outros efeitos tarifários.

A diferença vem aumentando nos últimos anos. Entre março e agosto de 2023, os passageiros pagantes representavam 59,6% dos embarques. No mesmo período de 2026, essa participação caiu para 43,7%.

Com menos usuários pagando passagem, a arrecadação não acompanha o aumento das despesas, e a prefeitura precisa ampliar os repasses para manter o serviço funcionando.

Câmara aprova mais R$ 12,3 milhões

O aumento dos gastos também levou a prefeitura a pedir mais recursos para o transporte coletivo.

O orçamento municipal de 2026 previa R$ 32,4 milhões em subsídios para o sistema. No entanto, a administração solicitou uma complementação de R$ 12,39 milhões para garantir a continuidade da operação.

O valor foi aprovado pela Câmara Municipal nesta quarta-feira (21), em regime de urgência, com dez votos favoráveis e três contrários.

Observatório cobra discussão sobre o modelo

Para o presidente do Observatório Social de Foz do Iguaçu, Haralan Mucelini, os números mostram a necessidade de discutir não apenas os custos, mas também a qualidade do transporte oferecido à população.

"Desde o debate sobre a caducidade, estamos alertando sobre a necessidade de a cidade debater com profundidade o seu modelo de transporte coletivo, o que inclui a modelagem, o custo e a qualidade do serviço ofertado à nossa população", afirmou.

A preocupação ocorre enquanto a prefeitura prepara uma nova licitação para o transporte coletivo, que deverá estabelecer um contrato de maior duração.

O Observatório Social informou que continuará acompanhando os indicadores do transporte e pretende divulgar relatórios periódicos sobre os gastos e outros serviços públicos do município.


Fonte: Portal da Cidade

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