EDUCAÇÃO PRISIONAL
Detentas de Foz aprendem a fabricar produtos reciclados e planejar o próprio negócio
Capacitação inclui produção de sabão ecológico, artesanato e aulas de educação financeira para gerar oportunidades após a prisão.
Publicado em
23/10/2026 às 09:21
Atualizado em
Potes de vidro, garrafas e até óleo de cozinha usado estão ganhando uma nova utilidade dentro da Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu. Materiais que normalmente seriam descartados são transformados em peças decorativas e produtos que podem ser vendidos, oferecendo às detentas uma oportunidade de aprender uma profissão e conquistar uma fonte de renda.
A iniciativa faz parte de um projeto desenvolvido pelo Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) Helena Kolody, que une aulas de reciclagem, artesanato, educação financeira e empreendedorismo.
Durante as atividades, as participantes aprendem a decorar potes e garrafas de vidro com a técnica de decoupage, que utiliza recortes e aplicações para personalizar objetos. Os materiais são transformados em vasos, organizadores, luminárias e peças para presentes.
Outro aprendizado é a fabricação artesanal de sabão ecológico a partir do óleo de cozinha usado. O processo é realizado com orientação e cuidados de segurança.
Aprender a produzir e também a vender
Além de fabricar os produtos, as mulheres recebem orientações sobre como transformar o artesanato em uma atividade que gere dinheiro.
As aulas ensinam a calcular os gastos com materiais, definir preços, estabelecer margens de lucro e preparar embalagens. As participantes também aprendem estratégias para divulgar e vender os produtos em feiras, bazares e redes sociais.
A proposta é que esse conhecimento possa ser utilizado após o cumprimento da pena, inclusive na abertura de pequenos negócios.
Segundo a professora Maria de Lurdes, responsável pelo projeto, a atividade também ajuda as alunas a reconhecerem suas próprias capacidades.
Ao transformar materiais descartados em produtos úteis, elas descobrem novas habilidades e percebem que a reciclagem pode representar uma oportunidade de trabalho.
Educação como caminho para uma nova vida
O projeto reúne conteúdos de Ciências, Biologia, História, Artes e Sociologia e integra as atividades educacionais oferecidas na unidade prisional.
Para o coordenador regional da Polícia Penal do Paraná em Foz do Iguaçu, Cássio Rodrigo Pompeo, iniciativas como essa ajudam a preparar as mulheres para o retorno à sociedade.
A pedagoga Josiane Kojo também destaca que o aprendizado pode contribuir para que as participantes conquistem independência financeira quando deixarem a prisão.
Além da qualificação profissional, a participação nas atividades escolares pode contribuir para a redução do tempo de cumprimento da pena, conforme as regras legais de remição pelo estudo.
A diretora da penitenciária, Helena Maria Almeida Pasin, afirma que a iniciativa reúne sustentabilidade, educação e preparação para o mercado de trabalho, oferecendo novas perspectivas às mulheres privadas de liberdade.
O projeto é desenvolvido na Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu, Unidade de Progressão, e busca mostrar que materiais descartados podem se transformar em produtos de valor, enquanto o aprendizado pode abrir caminhos para uma nova vida.
Fonte: Portal da Cidade
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