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Operação Narciso

Foz era braço logístico de esquema nacional de anabolizantes, diz Polícia Civil

Fornecedores da fronteira enviavam substâncias para outros estados; operação tem 45 mandados de prisão e bloqueio de R$ 32 milhões.

Publicado em 12/08/2026 às 09:10
Atualizado em

(Foto: Reprodução/Polícia Civil)

(Foto: Polícia Civil/Divulgação)

(Foto: Polícia Civil/Divulgação)

(Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Foz do Iguaçu era um dos pontos estratégicos de uma organização criminosa suspeita de fabricar e distribuir anabolizantes, medicamentos controlados e termogênicos adulterados para diferentes regiões do Brasil, segundo a Polícia Civil.

A rede foi alvo da Operação Narciso, deflagrada na manhã desta quarta-feira (12). Ao todo, os agentes cumprem 45 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 32 milhões ligados aos investigados.

De acordo com a investigação, uma fornecedora que atuava na região de fronteira e o marido eram responsáveis pelo envio interestadual das substâncias. Parte dos insumos teria origem no Paraguai e era encaminhada para laboratórios clandestinos instalados em outros estados.

Segundo o delegado Geraldo Evangelista, foram expedidos pelo menos sete mandados de busca e apreensão na cidade, além de ordens de prisão preventiva. A ação mobilizou cerca de 20 policiais civis, divididos em sete equipes, com o apoio da Guarda Municipal.

Durante as buscas em Foz do Iguaçu, os policiais apreenderam ao menos seis veículos, avaliados em mais de R$ 300 mil. Parte dos automóveis é considerada de alto padrão.

As apurações também apontam a participação de moradores de Foz do Iguaçu na movimentação financeira do grupo. Entre os investigados está um casal ligado a uma casa lotérica da cidade, suspeito de emprestar contas e nomes para esconder a origem do dinheiro.

Segundo informações obtidas pela investigação, as substâncias chegavam a ser escondidas dentro de peças de motocicletas e enviadas por transportadoras, Correios, plataformas de comércio eletrônico e freteiros. Um dos fornecedores foi preso no Paraguai durante uma ação conjunta das forças de segurança dos dois países. As conexões do esquema com Foz foram detalhadas pela investigação da PCDF.

Balanço da Operação:

  • Prisões: 5 pessoas em Foz do Iguaçu, 1 em Santa Terezinha de Itaipu e 2 no Paraguai (com apoio da Polícia Nacional).
  • Apreensões: Armas de fogo (revólveres e espingarda cal. 12), munições, elevada quantia de dinheiro em espécie, celulares, notebooks e documentos.

Os envolvidos foram encaminhados à Cadeia Pública Laudemir Neves e permanecem à disposição da Justiça.

Produção sem controle sanitário

A Polícia Civil afirma que os anabolizantes eram preparados de forma artesanal em imóveis improvisados, sem condições adequadas de higiene ou controle de qualidade. Entre os componentes usados estavam substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes.

Para dar aparência de produto importado e transmitir confiança aos compradores, o grupo utilizava embalagens com rótulos em língua estrangeira e bandeiras de outros países.

Médicos veterinários são suspeitos de emitir receitas falsas para permitir a compra de medicamentos controlados em estabelecimentos agropecuários. Nutricionistas, treinadores e influenciadores também teriam ajudado a divulgar e recomendar os produtos.

Rede espalhada pelo país

No Distrito Federal, funcionavam bases de fabricação e armazenamento, academias usadas para divulgar os produtos e uma gráfica responsável pelas embalagens.

Em Goiás, o grupo mantinha depósitos para receber insumos, uma farmácia de manipulação e parte da estrutura financeira. Na Paraíba, um laboratório clandestino funcionava em uma mansão alugada, enquanto outra residência de alto padrão, à beira-mar, era utilizada no recebimento dos materiais.

A rede também mantinha pontos de distribuição no Acre e em Minas Gerais, além das conexões no Paraná e na fronteira com o Paraguai.

Durante a operação, 13 estabelecimentos foram fechados, 22 perfis nas redes sociais foram retirados do ar e 11 veículos de luxo tiveram a apreensão determinada.

Fonte: Portal da Cidade

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