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ROTA MISTERIOSA

Sem registro de saída em Foz, trajeto de Flávio Bolsonaro intriga Polícia Federal

PF busca informações sobre pistas particulares e possíveis caminhos usados pelo senador antes de cruzar a fronteira com a Argentina.

Publicado em 29/10/2026 às 08:55

(Foto: RS/FP)

A Polícia Federal ainda tenta descobrir como o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou à fronteira de Foz do Iguaçu antes de seguir para a Argentina e, posteriormente, para os Estados Unidos. Apesar de o governo argentino confirmar a entrada do parlamentar e de sua família, não existe registro oficial da saída dele pelos postos de controle migratório brasileiros.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (29), a falta de informações sobre o trajeto entre Brasília e Foz do Iguaçu tem levantado diferentes hipóteses. Até o momento, nenhuma delas foi comprovada.

A principal dúvida é como o senador chegou à região da fronteira sem que seu deslocamento fosse identificado pelas autoridades brasileiras.

PF investiga pistas particulares na região

De acordo com a Folha, investigadores estão buscando informações sobre três aeródromos particulares localizados em Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu.

A Polícia Federal também procura pistas em Cascavel, a cerca de 140 quilômetros de Foz, para verificar se o parlamentar poderia ter desembarcado na cidade e seguido por terra até a fronteira.

Outra possibilidade analisada é a utilização de um voo direto de Brasília ou do Rio de Janeiro para alguma cidade argentina. Essa hipótese, porém, entraria em conflito com as informações divulgadas oficialmente pelas autoridades migratórias da Argentina.

Segundo a reportagem, um voo executivo partiu de Brasília e chegou ao Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu no período investigado. Entretanto, um dos agentes ouvidos afirmou que a aeronave não transportava a família Bolsonaro.

Passagem pela Ponte Tancredo Neves foi confirmada

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas entraram no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27).

Segundo o órgão argentino, todos apresentaram documentos válidos para a entrada no país.

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, a família embarcou em um avião particular da empresa Baires Fly, com destino a Guayaquil, no Equador, conforme o plano de voo divulgado pelas autoridades argentinas. Posteriormente, o senador e seus familiares chegaram aos Estados Unidos.

Suposta passagem por propriedade rural gera especulações

A falta de informações sobre a chegada do senador a Foz do Iguaçu também provocou rumores na cidade.

Uma das versões divulgadas pela imprensa argentina aponta que Flávio Bolsonaro e a família poderiam ter permanecido em uma propriedade rural antes de atravessar a fronteira.

Entretanto, não há confirmação de que o senador tenha se hospedado em alguma fazenda, chácara ou estabelecimento da região.

Outra especulação envolve uma van de turismo brasileira que teria transportado a família até a Argentina. A empresa associada ao veículo negou ter realizado o transporte e informou que estava atendendo outros passageiros.

Nenhuma dessas versões foi confirmada pelas autoridades.

Falta de fiscalização na fronteira chama atenção

Outro ponto levantado pela reportagem é o funcionamento do controle migratório brasileiro na Ponte Tancredo Neves.

Diferentemente da fiscalização realizada pelas autoridades argentinas, os veículos que deixam Foz do Iguaçu em direção a Puerto Iguazú não passam, de forma sistemática, por uma conferência individual de documentos no lado brasileiro.

Essa situação ajuda a explicar como uma pessoa pode cruzar a fronteira sem que sua saída seja registrada oficialmente no Brasil.

PF diz que não poderia prender nem monitorar senador sem autorização judicial

Em nota, a Polícia Federal confirmou que não encontrou registro oficial da saída de Flávio Bolsonaro pelos postos migratórios brasileiros.

A corporação também esclareceu que restrições relacionadas a documentos de viagem não autorizam, por si só, a prisão ou o monitoramento permanente de uma pessoa. Para essas medidas, seria necessária a existência de determinação judicial específica.

O deslocamento aconteceu após decisões judiciais envolvendo o parlamentar, que havia sido derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

A investigação agora busca esclarecer como Flávio Bolsonaro percorreu o caminho até a fronteira e qual meio de transporte utilizou antes de deixar o Brasil.

Até a manhã desta quinta-feira (29), a entrada na Argentina estava oficialmente confirmada, mas o trajeto feito pelo senador dentro do território brasileiro permanecia sem esclarecimento público.

Fonte: Portal da Cidade

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