DEFESA DE ALIADO
'Compreensível', diz governador eleito do Paraná sobre saída de Flávio Bolsonaro
Sergio Moro questionou decisão de Alexandre de Moraes que proibiu senador de deixar o Brasil; Flávio viajou aos Estados Unidos.
Publicado em 28/10/2026 às 11:07
O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), defendeu a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota na eleição presidencial. Em uma publicação nas redes sociais, nesta terça-feira (27), Moro afirmou que a decisão do aliado de deixar o país é "compreensível" e criticou a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de recolher seus passaportes.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil pela região da Tríplice Fronteira, passando pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos em um avião particular, acompanhado da esposa e das duas filhas.
A manifestação de Moro ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar que Flávio entregasse seus passaportes brasileiro e italiano à Polícia Federal (PF), além de proibi-lo de sair do território nacional.
Em sua publicação, Moro questionou a medida judicial contra o senador, que recebeu quase 60 milhões de votos no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25).
"Em que tipo de país o candidato da oposição à presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição?", escreveu.
Na sequência, o governador eleito criticou o cenário político e institucional brasileiro.
"O Brasil segue longe da normalidade institucional. No contexto, Flávio deixar o país é compreensível", afirmou.
Moro apoiou Flávio na eleição
Sergio Moro foi eleito governador do Paraná no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, com 3.127.911 votos, o equivalente a 50,10% dos votos válidos.
O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro apoiou a candidatura de Flávio à Presidência e participou ativamente da campanha do aliado, principalmente no segundo turno.
Flávio Bolsonaro acabou derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25). Lula recebeu aproximadamente 64,3 milhões de votos, enquanto o candidato do PL teve 59,8 milhões.
Moro assumirá o governo do Paraná em janeiro de 2027.
Por que a Justiça determinou a entrega dos passaportes?
A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada na segunda-feira (26), após um pedido da Polícia Federal, que apontou risco de Flávio Bolsonaro deixar o Brasil.
A determinação faz parte de uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios relacionados a apostas.
Além de ordenar a entrega dos passaportes em até 24 horas, Moraes proibiu Flávio de deixar o país e de manter contato com o advogado.
O senador não entregou os documentos dentro do prazo estabelecido, encerrado na manhã de terça-feira (27). Diante do descumprimento, a Polícia Federal informou ao STF que cancelou os passaportes em seu sistema de controle.
Saída do Brasil pela fronteira de Foz do Iguaçu
A viagem de Flávio Bolsonaro também chamou a atenção para a região da Tríplice Fronteira.
O senador passou pela Argentina, na região de Puerto Iguazú, cidade que faz fronteira com Foz do Iguaçu, antes de embarcar em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
A saída ocorreu mesmo após a decisão judicial que proibia sua viagem ao exterior. Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, o senador teria utilizado seu documento de identidade para atravessar a fronteira.
Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das filhas.
A defesa pública feita por Sergio Moro ocorre em meio à repercussão da viagem e reforça a proximidade política entre o governador eleito do Paraná e o senador, mesmo após a derrota de Flávio na disputa pela Presidência da República.
Fonte: Portal da Cidade
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