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EXTRADIÇÃO

Acusado de abastecer PCC e CV com armas que passavam pelo Paraguai chega ao Brasil

Investigação aponta que armas importadas ao Paraguai tinham números de série apagados em Ciudad del Este antes de entrar no Brasil.

Publicado em 10/09/2026 às 12:05
Atualizado em

(Foto: Divulgação/Ministério da Segurança Nacional da Argentina)

O empresário argentino Diego Hernán Dirisio, apontado pelas autoridades como o maior contrabandista de armas da América do Sul, foi extraditado da Argentina para o Brasil nesta quarta-feira (9). Ele é investigado por comandar um esquema internacional que teria utilizado o Paraguai como rota para abastecer organizações criminosas brasileiras, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Dirisio foi levado sob forte esquema de segurança até o Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, de onde embarcou para São Paulo. A extradição foi confirmada pelo Ministério da Segurança Nacional da Argentina e executada pela Polícia Federal Argentina.

Armas passavam pelo Paraguai

O esquema investigado chama atenção pela ligação direta com a fronteira entre Brasil e Paraguai.

Segundo as autoridades argentinas, desde 2012 a empresa ligada a Dirisio importou aproximadamente 25 mil armas provenientes de países como Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia.

Os armamentos entravam legalmente no Paraguai. A investigação aponta, porém, que parte deles era posteriormente desviada para o mercado clandestino e enviada ao Brasil.

Antes de cruzarem a fronteira, os números de série das armas eram apagados em Ciudad del Este, segundo o Ministério da Segurança argentino. A adulteração dificultava a identificação da origem dos armamentos apreendidos posteriormente pelas forças de segurança brasileiras.

Parte das armas teria chegado às mãos de integrantes do PCC e do Comando Vermelho.

Investigação brasileira descobriu esquema bilionário

O caso ganhou força a partir de uma apreensão realizada em novembro de 2020 na BR-116, em Vitória da Conquista, na Bahia.

Na ocasião, a Polícia Rodoviária Federal encontrou 23 pistolas calibre 9 mm, dois fuzis calibre 5,56 e dezenas de carregadores dentro de um ônibus. Algumas das armas apresentavam sinais de adulteração na numeração.

A apreensão levou a Polícia Federal a aprofundar as investigações sobre a origem do armamento.

O trabalho resultou, em dezembro de 2023, na Operação Dakovo, realizada simultaneamente no Brasil e no Paraguai. Na época, as autoridades brasileiras informaram que a organização investigada teria movimentado mais de R$ 1,2 bilhão em três anos e importado cerca de 43 mil armas.

A investigação identificou uma estrutura que importava armas legalmente da Europa para o Paraguai. Posteriormente, parte do armamento era desviada e repassada a intermediários responsáveis por levá-lo clandestinamente ao Brasil.

Dinheiro também circulava por esquema internacional

Além do tráfico de armas, os investigadores identificaram uma estrutura financeira utilizada para movimentar e ocultar o dinheiro obtido pelo grupo.

Segundo o governo argentino, pagamentos passavam por cambistas que operavam entre Paraguai e Estados Unidos. Depois, os recursos eram enviados para a Europa para pagar novas remessas de armamentos.

Dirisio é investigado por tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

Prisão ocorreu em 2024

O empresário estava foragido desde 2023 e tinha ordem internacional de prisão solicitada pela Justiça Federal brasileira, além de alerta vermelho da Interpol.

Ele foi localizado e preso pela Polícia Federal Argentina em 2 de fevereiro de 2024, na cidade de Córdoba.

Na mesma operação foi presa Julieta Nardi, companheira e sócia de Dirisio. Segundo as investigações, ele ocupava a presidência da empresa responsável pela importação e comercialização das armas no Paraguai, enquanto Nardi era vice-presidente.

Desde a prisão, Dirisio permanecia sob custódia na Argentina enquanto tramitava o pedido brasileiro de extradição.

Após a conclusão do processo judicial, ele foi entregue às autoridades brasileiras nesta quarta-feira e deverá responder no país pelas acusações relacionadas ao esquema internacional.

Fonte: Portal da Cidade

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