TRÁFICO DE LUXO
Tráfico aposta em maconha premium de US$ 14 mil o quilo para abastecer o Brasil
Droga de alta potência chega principalmente dos Estados Unidos e cruza o Paraguai; apreensões já provocaram prejuízo superior a US$ 17 milhões.
Publicado em 09/09/2026 às 07:24
Uma nova rota internacional do tráfico de drogas colocou o Paraguai no caminho de carregamentos milionários de maconha premium que têm o Brasil como principal destino. Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, a Senad, mais de 1,2 tonelada desse tipo de cannabis já foi apreendida durante o atual período de governo.
Ao todo, foram retirados de circulação 1.218 quilos de maconha premium e derivados de cannabis de alta potência. A estimativa da Senad é de que as apreensões tenham causado prejuízo superior a US$ 17 milhões às organizações criminosas.
O valor leva em consideração quanto esses produtos poderiam alcançar no mercado ilegal brasileiro. Segundo a Senad, um quilo de maconha premium pode chegar a US$ 14 mil no Brasil.
Dos Estados Unidos para o Brasil
As investigações paraguaias apontam para uma mudança importante na rota da droga. Parte dos carregamentos entra no Paraguai vinda principalmente dos Estados Unidos e depois segue em direção ao território brasileiro.
De acordo com a Senad, organizações criminosas estariam aproveitando a produção de cannabis existente em estados norte-americanos onde há mercados legalizados para desviar produtos para o comércio ilegal internacional.
Nesse esquema, o Paraguai passou a funcionar como corredor para a droga chegar ao Brasil, atraída pelo alto valor de venda no mercado clandestino.
A Senad afirma ter reforçado a fiscalização em aeroportos, portos, terminais de cargas e regiões de fronteira. As ações incluem análise de cargas, inteligência, cães farejadores e inspeções em veículos e mercadorias.
Carga de 304 kg foi encontrada perto da Ponte da Integração
Um dos casos que mais chama atenção ocorreu nas proximidades da Ponte Internacional da Integração, na fronteira entre Presidente Franco e Foz do Iguaçu.
Na operação, agentes paraguaios apreenderam 304 quilos de maconha premium escondidos em um fundo falso preparado em um veículo. Segundo a Senad, a carga tinha o Brasil como destino.
A apreensão mostra como a região da Tríplice Fronteira aparece dentro dessa nova logística internacional investigada pelas autoridades paraguaias.
Outro grande carregamento foi encontrado em um jato procedente dos Estados Unidos. A chamada operação "Narco Jet" terminou com a apreensão de 261 quilos e a prisão de três cidadãos norte-americanos.
Em outra ação, denominada "Air Box", foram encontrados 147 quilos escondidos em caixas declaradas como obras de arte e enviadas da Califórnia.
Já no Porto Terport, em Villeta, agentes descobriram 311 quilos escondidos em veículos importados dos Estados Unidos. Segundo a Senad, os automóveis tinham compartimentos preparados especialmente para esconder a droga.
O que é maconha premium
A Senad usa o termo maconha premium para identificar variedades e derivados de cannabis com alta concentração de THC, genética selecionada e valor elevado no mercado ilegal.
Além das flores de cannabis, as apreensões incluem ceras, óleos, resinas, cápsulas, sementes e outros produtos concentrados.
A produção costuma envolver sementes selecionadas, genética especializada e técnicas de cultivo mais sofisticadas do que aquelas utilizadas na produção convencional.
É justamente o alto valor de venda que vem despertando o interesse das organizações criminosas. Enquanto a maconha tradicional continua sendo uma das principais fontes de renda do crime organizado na região, a cannabis de maior potência começa a ocupar um mercado mais lucrativo.
Crime também tenta produzir droga mais valorizada
A Senad afirma ainda que organizações criminosas paraguaias e brasileiras começaram a incorporar sementes de genética especializada, técnicas avançadas de cultivo e métodos mais complexos de extração.
O objetivo seria produzir drogas de maior qualidade e aumentar o preço de venda.
Para as autoridades paraguaias, essa mudança mostra que o narcotráfico está diversificando produtos, rotas e formas de esconder os carregamentos, o que exige novos métodos de fiscalização nas fronteiras e nos pontos de entrada de mercadorias no país.
Fonte: Portal da Cidade
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