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Caso dos painéis

Cartazes anti-Paraguai exibidos em Ciudad del Este seguem sem autor identificado

Ministério Público mantém duas investigações abertas sobre mensagens exibidas em painéis de LED e sobre a destruição dos equipamentos após reação popular.

Publicado em 12/06/2026 às 09:01
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Painéis sendo removidos após a polêmica. (Foto: Reprodução)

Mensagens exibidas em painéis de led em Ciudad del Este. (Foto: Reprodução)

O episódio que provocou indignação em Ciudad del Este e ganhou repercussão nos dois lados da fronteira ainda está longe de uma conclusão. Dias após a exibição de mensagens ofensivas ao Paraguai em painéis eletrônicos instalados próximo à Ponte da Amizade, as autoridades seguem sem identificar quem foi o responsável pela ação.

O caso ocorreu no passeio central da rota PY02, uma das áreas mais movimentadas da cidade. Em telões e totens de LED foram exibidas imagens e mensagens que exaltavam uma suposta superioridade brasileira nos campos esportivo, econômico e diplomático.

O conteúdo que mais chamou a atenção mostrava uma montagem com o ex-presidente Jair Bolsonaro agredindo uma pessoa vestindo a camisa da seleção paraguaia. A identidade do personagem retratado nunca foi oficialmente confirmada pelas autoridades. As mensagens, exibidas em português, foram consideradas ofensivas por moradores, comerciantes e trabalhadores da região.

A repercussão foi imediata. O material permaneceu visível por cerca de duas horas e provocou forte reação popular em uma área de intenso fluxo de turistas e trabalhadores, a poucos metros da cabeceira da Ponte da Amizade.

Diante da polêmica, o Ministério Público do Paraguai abriu duas investigações distintas. A primeira apura a suspeita de invasão dos sistemas utilizados para controlar os painéis eletrônicos. A segunda analisa os danos causados aos equipamentos durante a reação dos trabalhadores que derrubaram e destruíram parte das estruturas.

A investigação sobre o suposto ataque cibernético está sob responsabilidade do promotor Osvaldo Zaracho. As empresas Publimix e Fast Print, responsáveis pela exploração publicitária dos espaços pertencentes ao Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), registraram denúncias alegando que seus sistemas foram hackeados e que não tiveram participação na divulgação do conteúdo.

Representantes da Publimix já prestaram depoimento e afirmaram que terceiros podem ter acessado os equipamentos utilizando um código universal. Segundo relataram à Promotoria, quando foram avisados sobre a exibição das mensagens, tentaram remover o conteúdo, mas não conseguiram recuperar o controle do sistema.

Como parte da investigação, computadores e processadores utilizados no gerenciamento dos painéis foram entregues às autoridades e serão submetidos à perícia especializada em crimes informáticos em Assunção. Os responsáveis pela Fast Print ainda devem prestar depoimento e também entregar os equipamentos para análise.

Caso seja confirmada a invasão dos sistemas, a próxima etapa será o rastreamento dos endereços de IP utilizados para acessar os painéis, na tentativa de identificar os autores da ação.

Paralelamente, a segunda investigação está sob responsabilidade do promotor Luis Trinidad e apura os prejuízos causados pela destruição de alguns totens de LED. Revoltados com as mensagens exibidas, trabalhadores da região comercial derrubaram parte dos equipamentos. Houve discussões e momentos de tensão entre manifestantes e funcionários das empresas responsáveis pelos painéis.

Por se tratar de um possível caso de ação privada, essa investigação poderá ser arquivada caso não haja interesse das partes em prosseguir com o processo.

Apesar das diligências realizadas pelo Ministério Público paraguaio, os responsáveis pela criação e divulgação dos cartazes ainda não foram identificados. A expectativa das autoridades é que a perícia nos equipamentos apreendidos ajude a esclarecer se houve realmente uma invasão aos sistemas das empresas responsáveis pelos painéis e, principalmente, quem esteve por trás da ação que provocou repercussão internacional na fronteira. Enquanto isso, o caso segue sem autoria definida e permanece cercado de questionamentos sobre a origem das mensagens e a motivação dos envolvidos.

Fonte: Portal da Cidade

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