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REVIRAVOLTA POLÍTICA

Congresso não aceita renúncia de Santiago Peña e impeachment avança no Paraguai

Parlamentares governistas deixaram sessão sem quórum, impedindo votação. Presidente segue no cargo enquanto Senado analisa impeachment.

Publicado em 05/11/2026 às 21:51

Santiago Peña assina sua carta de renúncia à Presidência do Paraguai nesta quinta-feira (5), em Assunção. (Foto: Divulgação)

A crise política no Paraguai teve uma nova reviravolta nesta quinta-feira (5). O Congresso Nacional não conseguiu concluir a votação sobre a renúncia do presidente Santiago Peña, anunciada horas antes, após parlamentares governistas abandonarem a sessão e deixarem o plenário sem quórum. Com isso, Peña continua oficialmente na Presidência, enquanto avança o processo de impeachment contra ele.

A situação ocorre em meio ao escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, instituição que possui aproximadamente 2,9 milhões de clientes e foi alvo de intervenção do Banco Central do Paraguai. A crise provocou protestos, bloqueio de recursos de correntistas e forte pressão política sobre o governo.

Deputados aprovam impeachment por unanimidade

Mesmo após Santiago Peña anunciar sua renúncia, a Câmara dos Deputados decidiu continuar com o processo de impeachment.

Os 78 deputados presentes votaram a favor da abertura do procedimento, que agora depende de análise do Senado, responsável pelo julgamento político do presidente.

A acusação envolve suspeitas de má gestão, conflitos de interesses e possíveis irregularidades relacionadas ao Ueno Bank, instituição com a qual Peña manteve vínculos empresariais até 2025.

A aprovação ocorreu depois que integrantes do próprio Partido Colorado, legenda do presidente, anunciaram apoio ao impeachment.

Parlamentares deixam sessão e impedem votação

No fim da tarde desta quinta-feira, deputados e senadores participaram de uma sessão conjunta para decidir se aceitariam a renúncia apresentada por Peña.

Durante o debate, parlamentares governistas defenderam a saída imediata do presidente para permitir que o vice-presidente Pedro Alliana assumisse o comando do país.

A oposição, entretanto, argumentou que a renúncia não deveria ser aceita antes da conclusão do impeachment.

O principal ponto de discussão foi a possibilidade de Peña adquirir a condição de senador vitalício caso sua renúncia fosse aprovada. Parlamentares contrários à medida afirmaram que isso poderia dificultar eventuais processos judiciais, devido às prerrogativas parlamentares.

Durante a votação nominal, integrantes do Partido Colorado deixaram o plenário ao perceberem que não tinham votos suficientes para aprovar a renúncia.

A saída dos parlamentares provocou a falta de quórum e impediu a conclusão da votação. Assim, a renúncia não foi formalmente aceita.

Peña afirma que vai apresentar sua defesa

Após o impasse no Congresso, Santiago Peña divulgou uma nova manifestação nas redes sociais.

O presidente afirmou que pretende colaborar com as investigações e apresentar sua defesa durante o processo político.

Peña também defendeu que a devolução do dinheiro aos clientes do Ueno Bank seja tratada como prioridade, independentemente de sua situação política.

O presidente havia anunciado a renúncia pela manhã, afirmando que sua decisão buscava preservar a estabilidade do Paraguai e o funcionamento das instituições democráticas.

A saída foi formalizada por meio de uma carta entregue ao Congresso pelo ministro do Interior, Enrique Riera.

Ministério Público investiga o caso

Além do processo político, a crise do Ueno Bank passou a ser investigada pelo Ministério Público paraguaio.

As apurações envolvem possíveis irregularidades na administração da instituição financeira, na fiscalização bancária e na movimentação de recursos públicos.

O banco recebeu valores de diferentes instituições públicas durante o governo Peña, incluindo recursos ligados à previdência social.

As autoridades investigam a atuação de dirigentes financeiros e eventuais responsabilidades de agentes públicos.

A abertura das investigações não significa que o presidente ou outros envolvidos tenham sido considerados culpados.

Vice-presidente poderá assumir o governo

Enquanto Santiago Peña enfrenta o processo de impeachment, o vice-presidente Pedro Alliana permanece como sucessor constitucional.

A Câmara dos Deputados rejeitou um pedido de impeachment contra Alliana, mantendo-o no cargo.

Caso a renúncia de Peña seja aceita ou o presidente seja destituído pelo Senado, Alliana deverá assumir a Presidência para completar o mandato, previsto até agosto de 2028.

Até a noite desta quinta-feira, não havia confirmação de uma decisão definitiva sobre a saída de Peña.

O que acontece agora?

O próximo passo será a análise do impeachment pelo Senado paraguaio, que deverá decidir sobre a eventual destituição do presidente.

Para que Peña seja afastado por meio do julgamento político, é necessário o apoio de dois terços dos senadores, conforme a Constituição do país.

Enquanto isso, o Paraguai continua enfrentando os efeitos da crise bancária, com clientes aguardando a recuperação de seus depósitos e autoridades tentando restabelecer a confiança no sistema financeiro.

A situação permanece indefinida, e novas decisões são esperadas nos próximos dias.

Fonte: Portal da Cidade

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