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Descoberta inédita

Onça do Parque Nacional do Iguaçu surpreende cientistas ao resistir a quatro infecções

Estudo aponta que a espécie pode ter uma resposta imunológica diferente da observada em gatos domésticos.

Publicado em 07/07/2026 às 17:05
Atualizado em

(Foto: Projeto Onças do Iguaçu/Divulgação)

(Foto: Projeto Onças do Iguaçu/Divulgação)

(Foto: Projeto Onças do Iguaçu/Divulgação)

(Foto: Projeto Onças do Iguaçu/Divulgação)

Uma onça-pintada monitorada no Parque Nacional do Iguaçu surpreendeu pesquisadores ao permanecer saudável mesmo após ser diagnosticada simultaneamente com quatro agentes infecciosos. O caso, considerado inédito na conservação da fauna brasileira, pode ampliar o entendimento sobre a imunidade da espécie e fortalecer estratégias de preservação dos grandes felinos.

O estudo identificou que o animal estava infectado pelo vírus da leucemia felina (FeLV), vírus da panleucopenia felina (FPV), Cytauxzoon sp. e Anaplasma platys. Em gatos domésticos e felinos mantidos em cativeiro, essas infecções costumam provocar doenças graves e, em alguns casos, podem levar à morte.

Apesar disso, a onça, um macho com cerca de 11 meses de idade capturado em julho de 2023 durante ações de monitoramento sanitário, não apresentou qualquer sinal clínico das doenças.

Durante os 12 meses seguintes, equipes do Projeto Onças do Iguaçu acompanharam o animal por meio de armadilhas fotográficas espalhadas pelo parque. As imagens confirmaram que ele continuou crescendo normalmente, ganhou peso, manteve comportamento típico da espécie e permaneceu caçando, desempenhando seu papel como predador de topo da Mata Atlântica.

Para os pesquisadores, o caso indica que as onças-pintadas podem desenvolver uma resposta imunológica diferente da observada em felinos domésticos. A descoberta também reforça que a presença de um agente infeccioso nem sempre significa que o animal desenvolverá a doença, evidenciando a importância de estudos de longo prazo sobre a saúde da fauna silvestre.

Além da relevância científica, a pesquisa chama atenção para um desafio crescente na conservação da espécie. A expansão urbana no entorno de áreas protegidas aumenta o contato entre gatos domésticos e onças-pintadas, facilitando a transmissão de vírus e outros agentes infecciosos para animais silvestres.

Segundo os autores, compreender como essas infecções se comportam em onças que vivem em liberdade é essencial para criar estratégias mais eficientes de conservação e reduzir os riscos às populações selvagens.

A pesquisa foi conduzida pelo Projeto Onças do Iguaçu, do Instituto Pró Carnívoros, em parceria com o Parque Nacional do Iguaçu, ICMBio, Universidade Federal da Fronteira Sul, Itaipu Binacional e WWF Brasil. O estudo foi publicado na revista científica Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia e é considerado um marco para o conhecimento sobre a saúde dos felinos silvestres no Brasil.

Fonte: Portal da Cidade

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