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HOSPEDAGEM

Airbnb tem 2,5 mil imóveis e movimenta quase R$ 100 milhões por ano em Foz do Iguaçu

Valor considera receitas estimadas das acomodações e não inclui dinheiro deixado pelos hóspedes em restaurantes, comércio e atrativos.

Publicado em 24/08/2026 às 08:03

(Foto: Airbnb/Reprodução)

O aluguel por temporada ganhou força em Foz do Iguaçu e já representa uma fatia relevante do mercado de hospedagem da cidade. Dados referentes ao período próximo a 2025 indicam que as acomodações anunciadas no Airbnb podem ter gerado cerca de R$ 97 milhões em receitas aos anfitriões, sem considerar o dinheiro que os visitantes movimentaram em restaurantes, comércio, transporte e atrações turísticas.

A estimativa é obtida a partir dos indicadores da plataforma de inteligência de mercado Airbtics. O levantamento referente ao período entre novembro de 2024 e outubro de 2025 apontava 2.498 anúncios ativos em Foz do Iguaçu, com receita anual média de aproximadamente R$ 39 mil por acomodação. A multiplicação dos dois indicadores resulta em uma movimentação potencial próxima de R$ 97,4 milhões somente com as hospedagens.

O levantamento também apontava diária média de R$ 214, ocupação de aproximadamente 51% e 186 noites reservadas por ano para uma acomodação típica. A receita média mensal ficava próxima de R$ 3,3 mil. Julho aparecia como o período mais rentável para os anfitriões.

O valor, no entanto, não representa todo o impacto econômico provocado pelos visitantes que utilizam a plataforma.

Dinheiro vai além da hospedagem

Um estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas, a FGV, a partir de dados internos do Airbnb, ajuda a dimensionar o efeito desse mercado sobre outros setores.

Em 2025, a atividade relacionada ao Airbnb movimentou mais de R$ 113 bilhões na economia brasileira, crescimento de 13% em relação ao ano anterior. O impacto estimado sobre o Produto Interno Bruto chegou a quase R$ 63 bilhões. A atividade também esteve associada a mais de 700 mil empregos e a quase R$ 9 bilhões em tributos.

A FGV utiliza uma metodologia de insumo-produto. Além do dinheiro gasto diretamente nas acomodações, o cálculo considera os efeitos gerados sobre outros segmentos da economia, como restaurantes, supermercados, comércio, transporte, entretenimento, limpeza e outros serviços.

O estudo nacional anterior, referente a 2024, mostrou a dimensão desse efeito multiplicador. Segundo a FGV, para cada R$ 10 gastos por hóspedes em estadias pelo Airbnb, outros R$ 52 circulavam em diferentes setores da economia.

Isso significa que o impacto de uma reserva não termina no pagamento feito ao proprietário do imóvel.

Em uma cidade turística como Foz do Iguaçu, o visitante também utiliza transporte, frequenta restaurantes, compra em supermercados e lojas, visita atrativos turísticos e contrata diferentes tipos de serviços.

A própria FGV destaca que os efeitos atingem principalmente serviços e comércio. No levantamento nacional referente a 2024, os serviços responderam por 57,9% dos efeitos econômicos relacionados à atividade, enquanto o comércio representou 24,8%.

Quanto o Airbnb movimentou em Foz?

Apesar de utilizar matrizes estaduais e municipais em sua metodologia, o estudo divulgado pela FGV e pelo Airbnb não apresenta, no material público consultado, um valor específico do impacto econômico total de Foz do Iguaçu em 2025.

Por isso, não é possível afirmar oficialmente que determinado valor corresponde ao impacto total da plataforma na economia iguaçuense.

O indicador municipal disponível permite afirmar que o mercado de acomodações tinha potencial de aproximadamente R$ 97,4 milhões em receitas anuais, com base no número de anúncios e na receita média informados pela Airbtics. O número é uma estimativa de mercado e não um dado oficial da Prefeitura, da FGV ou do Airbnb.

Também não seria correto simplesmente aplicar sobre os R$ 97 milhões o multiplicador nacional da FGV para anunciar um impacto econômico municipal, porque o estudo utiliza matrizes específicas para refletir as características econômicas de cada localidade.

Foz entre destinos em alta

A expansão ocorre enquanto Foz do Iguaçu continua ganhando espaço dentro da própria plataforma.

Em julho de 2026, o Airbnb colocou Foz do Iguaçu entre os destinos brasileiros em alta para as viagens de meio de ano, ao lado de cidades como Santo Antônio do Pinhal, em São Paulo, e Itacaré, na Bahia. Segundo a empresa, as buscas por viagens nacionais para o período cresceram quase 30% na comparação anual.

A oferta de imóveis também vem crescendo. Dados da Airbtics atualizados em 2026 apontavam aproximadamente 2,5 mil anúncios ativos, com receita anual típica na faixa de R$ 45 mil e ocupação próxima de 52%.

Turismo movimenta outros setores

A importância desse tipo de hospedagem acompanha o tamanho da economia turística de Foz.

Pesquisa oficial da Secretaria Municipal de Turismo, realizada com 1.537 visitantes, mostrou que 87% dos turistas pernoitavam na cidade. Os hotéis ainda concentravam a maior parcela, escolhidos por 62% dos entrevistados.

O levantamento apontou permanência média de 4,27 noites e gasto médio de R$ 3.336,65 por visitante durante a estadia. Alimentação, transporte, compras e visitas aos atrativos ajudam a distribuir os recursos do turismo por diferentes segmentos da economia local.

Os números ajudam a mostrar uma mudança no perfil da hospedagem em Foz. A cidade continua tendo uma das maiores estruturas hoteleiras do país, mas casas, apartamentos e quartos disponibilizados por plataformas digitais passaram a disputar uma parcela crescente dos visitantes.

Em 2025, a hotelaria tradicional também registrou desempenho elevado. Dados da Secretaria Municipal de Turismo apontaram média de ocupação de 68,5% até outubro, então o maior resultado da série histórica acompanhada pelo município. Janeiro chegou a registrar 81% de ocupação e julho, 76%.

O cenário indica que o crescimento das acomodações por temporada ocorre paralelamente ao aumento da demanda turística da cidade.

No Brasil, a movimentação econômica associada ao Airbnb passou de R$ 99,8 bilhões em 2024 para mais de R$ 113 bilhões em 2025. Em apenas um ano, o avanço foi de aproximadamente 13%, segundo a FGV.

Em Foz do Iguaçu, embora ainda não exista um número oficial público consolidando todo esse impacto econômico, os indicadores disponíveis mostram que somente a receita potencial das acomodações já se aproxima da casa dos R$ 100 milhões por ano.

Fonte: Portal da Cidade

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