CIDADE DE FRONTEIRA
Paraguaios lideram chegada de estrangeiros que escolheram Foz do Iguaçu para viver
Censo registrou quase 4,7 mil estrangeiros que chegaram à cidade entre 2017 e 2022; proximidade com Paraguai ajuda a explicar liderança.
Publicado em
10/09/2026 às 10:00
Atualizado em
Foz do Iguaçu não é apenas uma cidade de passagem para estrangeiros. A localização na Tríplice Fronteira também transforma o município em endereço de milhares de pessoas que vieram de outros países para viver no Brasil.
Dados mais recentes do Sistema de Registro Nacional Migratório, o Sismigra, analisados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, o Ipardes, mostram que Foz registrou 2.477 migrantes internacionais residentes em 2024.
O número colocou o município entre os principais destinos da população migrante no Paraná, atrás apenas de Curitiba, com 6.991 registros, e Cascavel, com 2.753.
A presença estrangeira é percebida diariamente nas ruas, no comércio, nas universidades, nas escolas e no mercado de trabalho. E, quando a origem desses moradores é analisada, a ligação com o Paraguai ganha destaque.
Paraguaios têm forte presença
Os paraguaios historicamente representam uma das principais comunidades estrangeiras de Foz do Iguaçu.
A proximidade com Ciudad del Este e Presidente Franco ajuda a explicar essa relação. Para milhares de famílias, a fronteira faz parte da rotina e não representa necessariamente uma ruptura entre morar em um país e manter vínculos no outro.
Há moradores que vivem em Foz e trabalham, estudam, mantêm empresas ou familiares no Paraguai. O movimento contrário também acontece.
Essa característica faz da região uma das áreas de maior integração populacional do país.
Mais de 2,4 mil migrantes residentes registrados em 2024
O levantamento do Ipardes mostra que Foz tinha 830 registros de migrantes residentes em 2018.
Em 2024, o número chegou a 2.477.
O aumento foi de 1.647 registros entre os dois levantamentos, praticamente triplicando no período.
Foz respondeu por cerca de 10% dos registros de migrantes residentes de todo o Paraná em 2024.
No estado, foram contabilizados 24.769 registros naquele ano.
Fronteira atrai pessoas de várias nacionalidades
Embora os paraguaios tenham forte presença, a população estrangeira de Foz é muito mais diversa.
A cidade recebe venezuelanos, argentinos, libaneses, colombianos, peruanos, haitianos, sírios, chilenos, bolivianos e moradores de diversas outras nacionalidades.
Um levantamento publicado pelo Ipea apontou que Foz reunia registros de pessoas de pelo menos 95 nacionalidades.
A diversidade também tem raízes históricas. A cidade abriga há décadas uma expressiva comunidade árabe, que teve papel importante no desenvolvimento comercial da fronteira.
Nos últimos anos, novos movimentos migratórios também mudaram esse perfil, principalmente com a chegada de venezuelanos e pessoas de outros países da América Latina.
Foz é a principal porta terrestre do Brasil
O movimento internacional da cidade vai muito além daqueles que decidem morar aqui.
Dados da Polícia Federal mostram que Foz do Iguaçu foi a principal porta terrestre de entrada e saída do Brasil em 2024.
Foram 1.600.923 registros de movimentos internacionais pela cidade naquele ano.
O número considera entradas e saídas do país, incluindo brasileiros e estrangeiros, e não deve ser confundido com quantidade de moradores ou pessoas diferentes.
Mesmo assim, mostra a dimensão da circulação internacional na região.
Foz ficou muito à frente de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, que apareceu na segunda posição entre as fronteiras terrestres, com 861.688 registros.
Morar em Foz e viver entre três países
A dinâmica da Tríplice Fronteira cria situações pouco comuns em outras regiões brasileiras.
Uma pessoa pode morar em Foz, trabalhar em Ciudad del Este e visitar familiares no Paraguai praticamente todos os dias. Outra pode residir no Brasil e estudar no país vizinho.
Há ainda brasileiros que vivem no Paraguai, paraguaios que trabalham em Foz e argentinos que mantêm relações profissionais ou familiares dos dois lados da Ponte Tancredo Neves.
É a chamada mobilidade transfronteiriça, que torna difícil compreender a região olhando apenas para a população oficialmente residente em cada município.
Censo mostra força da migração paraguaia
Outro levantamento ajuda a mostrar de onde vieram os estrangeiros que escolheram Foz nos últimos anos.
Dados detalhados do Censo Demográfico mostram que 4.676 estrangeiros chegaram ao município no período analisado.
Desses, 2.372 eram paraguaios.
Isso significa que mais da metade dos estrangeiros contabilizados nesse movimento migratório veio justamente do país vizinho.
O resultado reforça uma característica que continua aparecendo nos registros mais recentes: a forte presença paraguaia na composição migratória de Foz.
Dados têm períodos diferentes
Os números utilizados nesta reportagem vêm de levantamentos diferentes e, por isso, não devem ser somados.
Os 2.477 registros apresentados pelo Ipardes são referentes a migrantes internacionais residentes registrados no Sismigra em 2024.
Já os 4.676 estrangeiros, incluindo 2.372 paraguaios, fazem parte de um recorte divulgado pelo IBGE a partir do Censo 2022, que considera a migração ocorrida entre 2017 e 2022.
O Censo é realizado em intervalos maiores e continua sendo a principal referência para análises detalhadas sobre as características da população brasileira. Já os registros administrativos permitem acompanhar movimentos mais recentes.
Juntos, os levantamentos mostram uma característica que permanece atual: Foz continua sendo um dos principais pontos de concentração de migrantes internacionais no Paraná e mantém uma ligação populacional especialmente forte com o Paraguai.
Fonte: Portal da Cidade
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