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SAÚDE EM CRISE

Infestação de pulgas fecha ala neonatal e obriga transferência de bebês em CDE

Cinco recém-nascidos foram retirados do setor para desinfecção; hospital também enfrenta infiltrações, problemas no esgoto e falta de médicos.

Publicado em 01/09/2026 às 00:09

(Foto: Reprodução/UH)

Uma infestação de pulgas obrigou o Hospital Regional de Ciudad del Este, no Paraguai, a interditar temporariamente a ala de Neonatologia e transferir os cinco bebês que estavam internados no local. O caso foi registrado nesta segunda-feira (31) e ocorre em meio a uma série de denúncias sobre as condições do principal hospital público da região.

Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia, a quantidade de pulgas encontrada no setor levou ao bloqueio da ala para a realização de fumigação e desinfecção completa. Os cinco recém-nascidos foram transferidos temporariamente para a enfermaria 3 da área de cirurgia geral.

O problema aumenta a pressão sobre o Hospital Regional, que nos últimos dias passou a ser alvo de denúncias feitas pelos próprios profissionais de saúde. Imagens divulgadas por médicos mostram infiltrações, goteiras, umidade, banheiros deteriorados e problemas na rede de esgoto. Também houve relatos sobre presença de roedores em áreas da unidade.

De acordo com a médica Lea Acevedo, um cano da rede de esgoto teria se rompido recentemente, espalhando mau cheiro pelo hospital. Profissionais afirmam que problemas estruturais atingem inclusive áreas de internação e centros cirúrgicos.

A situação ganhou repercussão durante a paralisação nacional dos médicos paraguaios, que cobram do governo melhores salários e condições de trabalho.

Médicos pediram demissão

Além dos problemas estruturais, o Hospital Regional enfrenta uma crise no quadro de especialistas. Nesta segunda-feira, 12 dos 13 médicos que integram a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica apresentaram renúncia. Caso as saídas sejam efetivadas após o período de aviso, o setor poderá ficar com apenas um especialista.

Segundo a direção do hospital, entre os profissionais que decidiram deixar seus cargos também estão cinco cirurgiões pediátricos. O único médico emergencista pediátrico da unidade e da região também teria comunicado a intenção de apresentar a renúncia.

Os profissionais afirmam que a decisão foi tomada após uma greve nacional de cinco dias e a falta de acordo com o governo sobre as reivindicações da categoria.

Lea Acevedo classificou a situação da saúde pública como crítica e afirmou que, além das condições estruturais, há dificuldades para conseguir medicamentos e materiais necessários aos pacientes. Segundo ela, familiares frequentemente precisam comprar itens que não estão disponíveis no hospital.

O Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai havia informado em maio que destinou medicamentos e insumos avaliados em mais de 2,2 bilhões de guaranis aos serviços de saúde de Alto Paraná. Parte do material foi encaminhada ao Hospital Regional de Ciudad del Este.

Até a publicação desta reportagem, não foi localizada uma manifestação oficial do Ministério da Saúde especificamente sobre a infestação de pulgas e a interdição da ala neonatal.

Fonte: Portal da Cidade

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