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MÉDICOS EM GREVE

Em CDE, polícia usa balas de borracha e gás contra médicos perto da Ponte da Amizade

Manifestantes tentaram chegar à fronteira, queimaram boneco de Santiago Peña e ameaçaram renúncias em massa a partir de segunda-feira (31).

Publicado em 28/08/2026 às 17:28
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(Foto: Reprodução/ABC Color)

Um protesto de médicos terminou em confronto com a polícia nas proximidades da Ponte da Amizade, em Ciudad del Este, na tarde desta sexta-feira (28). Agentes paraguaios usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para impedir que os manifestantes chegassem ao acesso da fronteira com Foz do Iguaçu.

A mobilização provocou o bloqueio temporário das pistas de entrada e saída do Paraguai. Segundo a imprensa paraguaia, filas de veículos se formaram por vários quilômetros nas principais vias de acesso à ponte.

A marcha começou em frente ao Hospital Regional de Ciudad del Este, onde os profissionais mantinham uma tenda de resistência. O grupo percorreu as rodovias PY07 e PY02 com a intenção de chegar à Ponte da Amizade.

O primeiro momento de tensão ocorreu na rotatória Oasis. Um cordão formado por policiais do Grupo Especial de Operações, o GEO, tentava impedir o avanço da manifestação. Os médicos conseguiram passar pela barreira e seguiram pela rodovia.

A polícia montou um novo bloqueio na rotatória Reloj, a última antes do acesso à Ponte da Amizade. De acordo com o ABC Color, os agentes lançaram gás lacrimogêneo e efetuaram disparos com balas de borracha. Após momentos de confronto e empurra-empurra, a situação foi controlada.

Durante o protesto, os médicos queimaram um boneco inspirado na tradição paraguaia do Judas Kái, com os rostos do presidente Santiago Peña e da ministra da Saúde, María Teresa Barán.

Renúncias em massa

A manifestação encerrou os cinco dias de greve nacional dos médicos paraguaios, iniciada na segunda-feira (24). Segundo representantes da categoria, a paralisação teve adesão de 100% nos hospitais, centros e postos de saúde públicos do Alto Paraná.

Os profissionais afirmam que o fim do período oficial da greve não representa o encerramento das mobilizações. Caso o governo não apresente uma resposta considerada satisfatória até segunda-feira (31), médicos de várias especialidades poderão entregar pedidos de demissão e iniciar novas paralisações.

Cerca de 70 cirurgiões pediátricos de diferentes regiões do Paraguai já teriam preparado as cartas de renúncia. Anestesiologistas e profissionais do Hospital Regional de Ciudad del Este também avaliam deixar o sistema público.

O que os médicos reivindicam

A categoria cobra reajuste salarial, contratação definitiva de profissionais temporários, pagamento de benefícios e melhores condições de trabalho. Também reclama da falta frequente de medicamentos, materiais e equipes completas nos hospitais.

Os médicos afirmam que o salário-base está sem reajuste desde 2012. A principal reivindicação é elevar o piso de 5 milhões para 8 milhões de guaranis por vínculo de 12 horas semanais.

O governo paraguaio considera o aumento geral inviável. O Ministério da Economia calcula que o reajuste teria impacto anual de aproximadamente US$ 128 milhões. Como alternativa, o Ministério da Saúde propõe criar uma carreira médica, com salários definidos conforme a formação e a especialização dos profissionais.

Uma nova assembleia deve definir os próximos passos do movimento.

Fonte: Portal da Cidade

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