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Salário e realidade

Paraguai tem mínimo maior que o Brasil — só que quase ninguém recebe

Com R$ 2.032,22, mínimo paraguaio supera o brasileiro, mas metade dos trabalhadores ganha abaixo disso e informalidade predomina na fronteira.

Publicado em 28/06/2025 às 12:24
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(Foto: Reprodução)

A partir desta terça-feira, 1º de julho, o salário mínimo do Paraguai será reajustado em 3,6% e passará a 2.899.048 guaranis — o equivalente a R$ 2.032,22, conforme a cotação de referência do Banco Central do Paraguai. Maior que o mínimo brasileiro, hoje em R$ 1.518,00.

E o mínimo brasileiro continuará inferior pelos próximos anos. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, mesmo com os aumentos previstos anualmente, levará o mínimo a apenas R$ 1.925 em 2029.

Na relação entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, o valor do mínimo de cada país altera alguma coisa? Nada. Centenas de paraguaios continuarão em seus empregos, formais e informais, do lado de cá. E outro tanto de iguaçuenses se manterá nos empregos oferecidos pelo comércio de Ciudad del Este — principalmente.

Na verdade, tanto no Paraguai como no Brasil, o mínimo é apenas uma referência, exceto no caso de aposentadorias e pensões, quando prevalece o valor oficial.

No Paraguai, como noticia o jornal ABC Color, metade dos trabalhadores ganha abaixo do mínimo — mesmo em empregos formais. E a informalidade é muito elevada.

Com o valor do mínimo, segundo cálculos feitos por sindicalistas paraguaios, um trabalhador não consegue arcar com os custos de uma família de quatro integrantes. Não é diferente por aqui, embora a maioria ganhe mais que o mínimo oficial.

Na informalidade, o setor doméstico e o da construção civil, em Foz, certamente pagam bem mais que o mínimo brasileiro. E é por isso que se ouve o sotaque paraguaio em tantas áreas de Foz. Há condomínios onde empregadas paraguaias chegam em grupos, pela manhã. Muitas já moram na cidade; outras vêm de Ciudad del Este.

E os empregos formais de Foz? Oferecem salários maiores que o mínimo, mas ainda assim são surpreendentemente baixos.

O portal salario.com.br traz alguns exemplos: um assistente administrativo, em Foz do Iguaçu, pode ganhar entre R$ 2.100,00 e o teto salarial da categoria, de R$ 3.893,67. Na média de 2025, o ganho mensal é de R$ 2.298,08.

Já um vendedor tem ganho entre R$ 1.911,60 (média do piso salarial 2025 de acordos coletivos), R$ 2.008,00 (salário mediano da pesquisa) e o teto salarial de R$ 2.570,51 — levando em conta o salário base de profissionais em regime CLT de toda a cidade.

A faixa salarial de um auxiliar de cozinha, em Foz, oscila entre R$ 1.988,92 (média do piso salarial 2025 de acordos coletivos), R$ 2.050,00 (salário mediano da pesquisa) e o teto salarial de R$ 2.619,53 — considerando o salário base de profissionais em regime CLT de toda a cidade.

A faixa salarial de um caixa de supermercado fica entre R$ 1.833,66 (média do piso salarial 2025 de acordos coletivos), R$ 1.890,00 (salário mediano da pesquisa) e o teto salarial de R$ 2.455,95.

Piso regional

Esses valores dos profissionais listados acima estão próximos — ou até ligeiramente acima — do piso regional do Paraná para 2025, que foi definido entre R$ 1.984,16 e R$ 2.275,36, dependendo da categoria profissional.

Este mínimo regional paranaense é o maior piso regional do Brasil, mas não se aplica a trabalhadores com pisos definidos em lei federal, convenções ou acordos coletivos, nem a servidores públicos.

Em resumo: paraguaios e brasileiros têm que "se virar", ter sorte ou vir de famílias endinheiradas para levar uma vida confortável. A política também ajuda os que se dão bem nela.

Portanto, o salário mínimo do Paraguai, "traduzido" em reais, representa R$ 2.032,22.

O valor do salário mínimo no Brasil, de R$ 1.518 em 2025, representa um aumento de 7,5% em relação a 2024.

Pelo Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, mesmo com os aumentos previstos para os próximos anos, o mínimo brasileiro continuará inferior ao atual mínimo paraguaio — em 2029, o brasileiro terá um mínimo de R$ 1.925.

Cerca de 50% dos trabalhadores paraguaios não recebem nem o mínimo. Além disso, a informalidade é elevada. Mesmo quem ganha o mínimo não consegue arcar com os custos de uma família de quatro integrantes, com o custo de vida em elevação constante.

Fonte: Portal da Cidade

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