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Operação Puro Engano

Mulheres cruzavam fronteira já com dívida em esquema de exploração sexual, diz PF

Operação cumpriu mandados em três cidades do Oeste do Paraná. Investigados cobravam transporte e aplicavam multas de até R$ 1 mil.

Publicado em 25/08/2026 às 10:29
Atualizado em

(Foto: Polícia Federal/Divulgação)

(Foto: Polícia Federal/Divulgação)

(Foto: Polícia Federal/Divulgação)

(Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Mulheres paraguaias e argentinas eram atraídas ao Brasil com falsas promessas de trabalho e remuneração, mas chegavam aos estabelecimentos já com uma dívida de aproximadamente R$ 300 pelo transporte clandestino, segundo investigação da Polícia Federal.

O esquema é alvo da Operação Puro Engano, deflagrada na manhã desta terça-feira (25) para combater o tráfico internacional de pessoas para exploração sexual no Oeste do Paraná.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. Dois ocorreram em Missal, dois em São Miguel do Iguaçu e um em Itaipulândia. Um homem também foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

De acordo com a PF, um agenciador era responsável por buscar as mulheres no Paraguai e na Argentina e transportá-las pela fronteira em veículos com placas estrangeiras. Cada viagem custava cerca de R$ 300.

O valor era inicialmente pago pelos proprietários dos estabelecimentos, mas depois repassado às mulheres como dívida. Dessa forma, elas começavam a trabalhar já devendo pelo próprio deslocamento até o Brasil.

A investigação também identificou a cobrança de multas de até R$ 1 mil contra as mulheres que descumprissem regras impostas pelos responsáveis pelos locais. A PF não detalhou quais eram essas exigências.

O caso começou a ser investigado depois que autoridades argentinas comunicaram, por meio do Comando Tripartite, o desaparecimento de uma jovem estrangeira em situação de vulnerabilidade na região de fronteira.

A partir da cooperação entre Brasil, Paraguai e Argentina, policiais federais localizaram e resgataram a jovem em novembro de 2025. Ela estava dentro de uma casa noturna na zona rural de Missal.

O avanço da apuração apontou indícios de uma estrutura voltada ao recrutamento e ao transporte de mulheres paraguaias e argentinas para exploração sexual em território brasileiro.

Durante as buscas desta terça-feira, três paraguaias em situação migratória irregular foram encontradas em um dos estabelecimentos investigados. Elas foram identificadas e ouvidas pelas equipes policiais.

O Consulado do Paraguai e a assistência social do município foram acionados para oferecer apoio e orientação às mulheres. Elas também receberão informações sobre os procedimentos necessários para regularizar a permanência no Brasil.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por tráfico de pessoas para exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, rufianismo e favorecimento da prostituição ou exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável.

A PF também apura possíveis casos de promoção de migração ilegal, crime caracterizado pela facilitação da entrada ou saída clandestina de estrangeiros entre países. A pena prevista varia de dois a cinco anos de prisão, além de eventuais punições por outros crimes.

O nome Puro Engano faz referência às falsas propostas de trabalho e pagamento que, segundo a investigação, eram usadas para atrair mulheres em situação de vulnerabilidade social. As investigações continuam.

Fonte: Portal da Cidade

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