CASO VAI À UNIÃO
Após vídeos sobre acesso ao SUS no Paraguai, Foz leva situação ao Itamaraty e à ABIN
Prefeitura discute com Ministério da Saúde, Itamaraty e ABIN o impacto de pacientes da fronteira e possíveis irregularidades cadastrais.
Publicado em
07/10/2026 às 18:11
Atualizado em
A pressão provocada pelo atendimento de pacientes que circulam entre Brasil e Paraguai levou a Secretaria Municipal da Saúde de Foz do Iguaçu a ampliar as discussões com órgãos do Governo Federal.
O município já realizou reuniões e tratativas com o Ministério da Saúde, o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, e a Agência Brasileira de Inteligência, a ABIN, para discutir como a realidade da fronteira interfere na rede pública de saúde da cidade.
Entre os pontos apresentados estão o fluxo de pacientes entre os dois países, transporte para atendimento, encaminhamentos entre os sistemas de saúde, qualidade dos cadastros e a necessidade de identificar com maior precisão quantas pessoas de fora da cidade utilizam a estrutura municipal.
Segundo a Secretaria da Saúde, esse trabalho começou antes da recente circulação de vídeos nas redes sociais em que empresas instaladas no Paraguai oferecem serviços relacionados à obtenção de documentos brasileiros e mencionam a possibilidade de acesso ao SUS.
Os conteúdos também foram encaminhados aos órgãos competentes para conhecimento e análise.
A secretaria ressalta, porém, que a existência dos vídeos, por si só, não comprova crime ou fraude. Uma eventual irregularidade depende de investigação das autoridades responsáveis.
Pressão sobre a rede
A principal preocupação da gestão municipal é conseguir medir o tamanho real da demanda transfronteiriça e os reflexos dela sobre unidades de saúde, consultas, exames e demais serviços mantidos pelo município.
Foz do Iguaçu possui uma dinâmica diferente da maioria das cidades brasileiras por estar diretamente ligada ao Paraguai e à Argentina e receber diariamente moradores, trabalhadores e visitantes dos países vizinhos.
Por isso, a Secretaria da Saúde defende que a situação seja discutida diretamente com o Governo Federal, principalmente para definir regras mais claras de atendimento, melhorar os registros de pacientes e adequar o financiamento à demanda efetivamente suportada pelo município.
Atendimento não será restringido por nacionalidade
Apesar das discussões, a Secretaria da Saúde afirma que não existe orientação para restringir atendimento com base na nacionalidade do paciente.
A intenção, segundo o município, é garantir os atendimentos previstos em lei e, ao mesmo tempo, preservar a regularidade do SUS e evitar que falhas cadastrais ou situações irregulares prejudiquem o planejamento da rede.
A gestão afirma que continuará reunindo dados e buscando apoio do Ministério da Saúde, Itamaraty e ABIN para construir mecanismos específicos para a realidade de Foz do Iguaçu.
Caso sejam identificados indícios de fraude, falsificação de documentos ou qualquer outra irregularidade, a apuração deverá ser feita pelos órgãos competentes.
Fonte: Portal da Cidade
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