VULNERABILIDADE
Aumento da população em situação de rua desafia assistência social em Foz do Iguaçu
Acolhimento, saúde e assistência são ampliados, enquanto equipes enfrentam resistência e rompimento de vínculos familiares.
Publicado em
11/07/2026 às 14:08
Atualizado em
O crescimento da população em situação de rua no Brasil tem ampliado os desafios enfrentados por municípios como Foz do Iguaçu, que intensificam ações de acolhimento, assistência social e atendimento em saúde para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) mostram que o número de pessoas em situação de rua no país passou de 198,7 mil para 392,4 mil entre o fim de 2022 e junho de 2026. O aumento de 97,4% reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas ao atendimento dessa população.
Em Foz do Iguaçu, o tema ganhou ainda mais repercussão após a morte da moradora de rua Miguelina Pedroso dos Santos, de 58 anos, vítima de um episódio de violência. O caso trouxe à tona o debate sobre os limites da atuação do poder público diante de situações marcadas por vulnerabilidade social, dependência química, transtornos mentais e rompimento de vínculos familiares.
Segundo a Prefeitura, Miguelina era acompanhada pela rede municipal de assistência social e recebeu 27 atendimentos ao longo do período em que esteve em situação de rua. Durante esse acompanhamento, foram realizados diversos encaminhamentos para serviços de acolhimento, como o Albergue Noturno e a Casa de Passagem I, além de acompanhamento técnico especializado.
Em 2025, ela permaneceu acolhida por cerca de 50 dias na Casa de Passagem I. De acordo com o município, o histórico também registra recusas aos atendimentos, evasões das unidades e desligamentos voluntários dos serviços oferecidos.
As equipes da assistência social também tentaram restabelecer o contato com familiares residentes em Foz do Iguaçu e em outras cidades. Conforme a administração municipal, houve baixa disponibilidade dos familiares para retomar a convivência, além da resistência da própria usuária em aceitar alternativas de reinserção.
Além da assistência social, a Secretaria Municipal de Saúde mantém o serviço Consultório na Rua, formado por equipes multidisciplinares que realizam atendimentos diretamente nos locais onde vivem pessoas em situação de rua. O trabalho inclui acompanhamento em saúde mental, atendimento relacionado ao uso de álcool e outras drogas, vacinação, orientações e encaminhamentos para tratamento na rede pública.
O município também desenvolve operações integradas, como o programa Ruas Visíveis, que reúne equipes das secretarias de Assistência Social, Saúde e Segurança Pública para abordagens periódicas. Fora das ações programadas, o Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) mantém atendimento contínuo em diferentes regiões da cidade.
Apesar da estrutura disponível, a Prefeitura reconhece que um dos principais desafios é a adesão aos serviços. Em muitos casos, pessoas em situação de rua recusam o acolhimento ou deixam os espaços de atendimento antes da conclusão do acompanhamento, o que dificulta o processo de reinserção social.
Segundo o município, as ações continuarão sendo ampliadas com foco na proteção da vida, na garantia de direitos e no fortalecimento da rede de atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Fonte: Portal da Cidade
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