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VOLTA À FLORESTA

Onça-pintada que apareceu em bairro de Foz é solta no Parque Nacional após tratamento

Tape'ỹ passou por tratamento veterinário, recebeu colar com GPS e agora terá os deslocamentos acompanhados por pesquisadores.

Publicado em 03/08/2026 às 18:44
Atualizado em

(Foto: Onças do Iguaçu/Reprodução)

(Foto: Onças do Iguaçu/Reprodução)

(Foto: Onças do Iguaçu/Reprodução)

A onça-pintada que mobilizou uma grande operação de resgate após ser vista circulando por uma área urbana de Foz do Iguaçu voltou à natureza. O macho, conhecido como Tape'ỹ, foi solto no Parque Nacional do Iguaçu depois de passar por tratamento veterinário e ser considerado apto para retornar à vida livre.

A soltura marca o desfecho de um caso que chamou a atenção da população no fim de junho, quando o felino apareceu no bairro Três Lagoas, uma ocorrência considerada rara na região. Desde então, o animal permaneceu sob cuidados especializados no Refúgio Biológico Bela Vista, da Itaipu Binacional.

Durante o período de recuperação, Tape'ỹ passou por exames clínicos e laboratoriais, recebeu tratamento para os ferimentos identificados após a captura e teve sua evolução monitorada diariamente. Segundo a equipe responsável, a onça apresentou recuperação completa, manteve comportamento típico de um animal silvestre e demonstrou condições para voltar ao habitat natural.

Antes da soltura, o felino recebeu um colar equipado com tecnologia GPS. O dispositivo permitirá que pesquisadores acompanhem seus deslocamentos nos próximos meses, avaliando sua adaptação ao ambiente e reunindo informações que poderão auxiliar em futuras ações de conservação da espécie.

A reintrodução foi realizada por equipes do Projeto Onças do Iguaçu, Parque Nacional do Iguaçu, ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), Itaipu Binacional e instituições parceiras.

Assim que a porta da caixa de transporte foi aberta, Tape'ỹ caminhou calmamente em direção à mata e desapareceu entre a vegetação, encerrando uma operação que envolveu semanas de monitoramento e cuidados.

Segundo o chefe do CENAP, Rogério Cunha de Paula, o retorno da onça representa o sucesso de um trabalho conduzido com base em critérios técnicos desde o primeiro momento.

"O caso começou em uma situação delicada, com um grande felino em área urbana. Todas as decisões priorizaram o bem-estar do animal e a segurança da população. Agora inicia-se uma nova fase, em que vamos acompanhar sua adaptação ao ambiente natural", afirmou.

Para os pesquisadores, o episódio também reforça a importância da preservação dos corredores ecológicos que conectam o Parque Nacional do Iguaçu às áreas de vegetação do entorno do lago de Itaipu.

De acordo com o gestor da área de Ciência e Pesquisa do Parque Nacional do Iguaçu, Marius Belluci, ampliar e recuperar essas áreas é fundamental para permitir que animais de grande porte se desloquem com segurança, reduzindo o risco de encontros com áreas urbanas.

O caso é considerado incomum pelos especialistas. Havia mais de 20 anos que não existiam registros confirmados de uma onça-pintada na região do lago de Itaipu onde Tape'ỹ foi encontrado. Até agora, não foi possível identificar de onde o animal veio nem o que o levou a atravessar uma área urbana.

As equipes também destacaram a colaboração da população durante toda a operação. Os avisos feitos por moradores permitiram localizar o felino rapidamente, possibilitando a captura segura, o tratamento veterinário e, por fim, a devolução do animal à floresta.

Batizado de Tape'ỹ, expressão de origem tupi que significa "aquele que perdeu o caminho", o felino agora inicia uma nova etapa. Com o monitoramento por GPS, pesquisadores esperam confirmar que ele voltou a percorrer, de forma definitiva, os caminhos da floresta onde a espécie vive naturalmente.

Fonte: Portal da Cidade

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