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Mercado imobiliário

Boom da construção em Foz impulsiona prédios, valoriza imóveis e pressiona aluguéis

Cidade tem 61 prédios em construção, cresce na verticalização e vê aumento da procura por imóveis compactos.

Publicado em 17/07/2026 às 10:07
Atualizado em

(Foto: PMFI/Arquivo)

O mercado imobiliário de Foz do Iguaçu vive um dos momentos mais aquecidos da história. A cidade passa por um intenso processo de verticalização, com dezenas de edifícios sendo erguidos simultaneamente, crescimento na emissão de alvarás de construção e forte procura por apartamentos compactos. O cenário movimenta a economia, gera empregos e atrai investidores, mas também tem um efeito sentido diariamente pela população: o aumento dos aluguéis.

Uma enquete realizada pela RPC, afiliada a Globo, mostra que 45% dos participantes apontam o aluguel como a principal preocupação financeira da família. O levantamento revela que a moradia ocupa o primeiro lugar entre as despesas que mais pesam no orçamento dos moradores de Foz do Iguaçu.

A alimentação aparece em segundo lugar, com 25% das respostas, seguida pelas contas da casa, como água, energia elétrica e internet, com 20%. Os gastos com medicamentos foram citados por 10% dos participantes. O combustível não recebeu votos.

Nas ruas, moradores relataram que o valor dos aluguéis tem dificultado o fechamento das contas, principalmente para quem mora sozinho ou depende de uma renda mais baixa.

Enquanto o custo da moradia sobe, a cidade registra um forte crescimento no setor da construção civil. Dados da Prefeitura apontam que, entre março e junho deste ano, foram emitidos 567 alvarás de construção, um aumento de 21% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Outro indicador confirma o momento vivido pelo setor. De acordo com o Núcleo de Imobiliárias de Foz do Iguaçu, aproximadamente 61 edifícios estão em construção ao mesmo tempo no município, a maioria voltada para o mercado imobiliário, com unidades destinadas à venda e à locação.

Segundo o presidente do Núcleo de Imobiliárias, Vilmar Junior, diversos fatores explicam o aquecimento do mercado. Um deles foi o aumento da procura por moradia por parte de estudantes brasileiros que cursam Medicina no Paraguai e optam por residir em Foz do Iguaçu.

Além disso, o crescimento do turismo alterou o perfil da oferta de imóveis na cidade. Muitos proprietários deixaram de oferecer locações tradicionais para investir no aluguel por temporada, reduzindo a quantidade de imóveis disponíveis para contratos de longo prazo.

"Isso provocou um boom na locação. Em determinado momento, Foz chegou a figurar entre as cidades com os aluguéis mais caros do Paraná. Depois vieram os estúdios e apartamentos compactos voltados para locação de temporada, fortalecendo ainda mais o mercado", explica.

Outro reflexo dessa mudança está no perfil dos empreendimentos. A área média das novas construções caiu 21% em relação ao ano passado. Hoje, os imóveis mais procurados possuem entre 30 e 50 metros quadrados, principalmente apartamentos de um ou dois quartos.

Para Vilmar Junior, essa tendência acompanha o comportamento dos investidores, que buscam imóveis menores por oferecerem maior liquidez, facilidade de locação e melhor rentabilidade. A verticalização da cidade também é impulsionada pelos investimentos em infraestrutura realizados nos últimos anos, que aumentaram a valorização de diversas regiões da cidade.

Apesar do aquecimento do setor, o crescimento acelerado também gera desafios. A construção civil enfrenta dificuldade para contratar trabalhadores diante da alta demanda por mão de obra.

A Agência do Trabalhador de Foz do Iguaçu disponibiliza centenas de vagas de emprego, sendo grande parte destinada à construção civil, em funções como pedreiro, servente, pintor, eletricista, encanador e ajudante de obras.

Para quem busca reduzir o impacto do aluguel no orçamento, Vilmar Junior orienta que o valor da moradia não seja analisado de forma isolada.

Segundo ele, é importante considerar também despesas como transporte. Em algumas situações, optar por um imóvel mais próximo do trabalho, mesmo com aluguel um pouco mais elevado, pode representar economia no fim do mês ao reduzir os gastos com combustível ou transporte coletivo.

Na avaliação do especialista financeiro André Dalleaste, controlar o orçamento é fundamental em um cenário de alta nos custos da moradia.

Ele recomenda que todas as pessoas da família participem do planejamento financeiro, reunindo as receitas e listando todas as despesas fixas, como aluguel e financiamentos, além dos gastos variáveis, como supermercado, energia, água, telefone e internet.

Outro ponto considerado essencial é a formação de uma reserva de emergência. Segundo Dalleaste, guardar parte da renda, mesmo que de forma gradual, ajuda a enfrentar imprevistos sem recorrer a empréstimos ou aumentar o endividamento.

Com dezenas de novos empreendimentos em andamento e uma demanda que continua elevada, a expectativa do mercado é de que a verticalização de Foz do Iguaçu siga avançando nos próximos anos. Para as famílias, no entanto, especialistas alertam que planejamento financeiro, pesquisa antes de fechar um contrato e análise do custo-benefício do imóvel serão cada vez mais importantes para manter as contas em equilíbrio.

Fonte: Portal da Cidade

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