EMAGRECEDORES
Estudo da Unicamp confirma que canetas do Paraguai têm a mesma substância do Mounjaro
Pesquisa identificou o princípio ativo em cinco marcas, mas não avaliou esterilidade, eficácia clínica nem controle de qualidade.
Publicado em
06/07/2026 às 15:52
Atualizado em
Canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai e comercializadas como alternativas ao Mounjaro realmente contêm tirzepatida, princípio ativo utilizado no medicamento de referência. A conclusão é de uma análise conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que avaliou cinco marcas disponíveis no mercado paraguaio.
Foram analisados os medicamentos Tirzedral, TG.15, Lipoless 15, Tirzec e Gluconex. Em todas as amostras, os pesquisadores confirmaram a presença da tirzepatida e não encontraram indícios de semaglutida, substância presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy.
Apesar do resultado, os responsáveis pelo estudo destacam que a pesquisa não comprova que os produtos sejam equivalentes ao Mounjaro nem garante que possam ser considerados seguros para uso. A análise se limitou à identificação da molécula e da concentração do princípio ativo, sem avaliar critérios essenciais exigidos para aprovação de medicamentos.
Entre os pontos que não foram analisados estão esterilidade, estabilidade, controle de impurezas, qualidade da fabricação, eficácia clínica e segurança do tratamento. Esses requisitos fazem parte do processo regulatório realizado pelas autoridades sanitárias antes da liberação de um medicamento.
Um dos resultados que mais chamou a atenção foi o da marca Gluconex, que apresentou concentração de tirzepatida cerca de 60% superior à informada no rótulo. Segundo os pesquisadores, essa diferença pode aumentar o risco de efeitos adversos, especialmente em pacientes que utilizam a dosagem indicada pelo fabricante.
As outras quatro marcas apresentaram concentrações compatíveis com o esperado e dentro da margem normalmente aceita pela indústria farmacêutica.
Embora os medicamentos possuam registro na Direção Nacional de Vigilância Sanitária (Dinavisa), do Paraguai, nenhum deles tem autorização para comercialização no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que a simples identificação do princípio ativo não é suficiente para atestar a qualidade de um medicamento ou permitir sua venda no país.
Segundo a agência, o registro sanitário exige uma série de avaliações, incluindo inspeções nas fábricas, estudos clínicos, testes de qualidade, monitoramento da produção e comprovação da eficácia e da segurança dos produtos.
Nos últimos meses, a procura pelas canetas emagrecedoras vendidas no Paraguai aumentou de forma significativa entre consumidores brasileiros, principalmente em Ciudad del Este. O preço reduzido em comparação ao Mounjaro comercializado no Brasil impulsionou esse mercado e também chamou a atenção das autoridades.
Em paralelo ao crescimento das vendas, Receita Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal intensificaram as fiscalizações nas regiões de fronteira. Somente neste ano, diversas operações resultaram na apreensão de canetas contendo tirzepatida e também de medicamentos à base de retatrutida, substância que ainda não possui aprovação para uso comercial em nenhum país.
Para os pesquisadores, o estudo representa um importante avanço ao esclarecer a composição desses produtos, mas os resultados não devem ser interpretados como uma certificação de qualidade ou uma recomendação de uso. A equipe ressalta que ainda são necessários testes mais abrangentes para avaliar a segurança e a eficácia das canetas comercializadas no Paraguai antes que qualquer comparação com o medicamento original possa ser feita.
Fonte: Portal da Cidade
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