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PERFIL DAS RUAS

83% das pessoas em situação de rua de Foz do Iguaçu nasceram fora da cidade

Levantamento identificou 601 pessoas vivendo nas ruas; 83,3% nasceram fora do município e 17,2% são migrantes internacionais.

Publicado em 01/10/2026 às 22:36
Atualizado em

(Foto: PMFI/Arquivo)

Mais de oito em cada dez pessoas em situação de rua em Foz do Iguaçu nasceram fora da cidade. O dado faz parte de um estudo realizado no município que traçou o perfil dessa população e identificou 601 pessoas vivendo nessa condição.

De acordo com o levantamento, 83,3% das pessoas entrevistadas não nasceram em Foz do Iguaçu. Entre toda a população identificada pelo estudo, 17,2% são migrantes internacionais.

Os números ajudam a mostrar uma característica particular da população em situação de rua de Foz, município localizado na fronteira com Paraguai e Argentina e marcado pela intensa circulação de pessoas.

Maioria é formada por homens

Além da origem, o levantamento apresenta outras características de quem vive nas ruas da cidade.

Os homens representam 83,12% da população identificada. A idade média é de 40 anos e 67,66% das pessoas se declararam pretas ou pardas.

O estudo faz parte de uma dissertação de mestrado de Andre da Silva Eloy, apresentada em 2026 no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

A pesquisa analisou informações do censo da população em situação de rua e dados relacionados aos atendimentos de saúde realizados no município.

Maioria diz que quer deixar as ruas

Outro dado que chama atenção é que 76,63% das pessoas ouvidas manifestaram desejo de deixar a situação de rua.

O levantamento também reuniu experiências relatadas por essa população. Conflitos familiares aparecem em 30,93% dos registros, enquanto o uso de álcool e outras drogas foi mencionado em 23,19%.

Outros 19,85% dos entrevistados relataram ter ingressado na situação de rua depois da pandemia de Covid-19. Desemprego ou perda de renda aparecem em 8,96% dos relatos.

Os percentuais, no entanto, não devem ser interpretados isoladamente como causas diretas da situação de rua. O próprio estudo aponta que o problema envolve diferentes fatores sociais, familiares e econômicos.

Origem não explica situação de rua

O fato de a maioria ter nascido fora de Foz também não significa que a migração seja responsável pela condição de rua.

A pesquisa utiliza a origem da população como uma das características necessárias para compreender o perfil das pessoas atendidas e os desafios enfrentados pelos serviços públicos.

Em uma cidade de fronteira, a mobilidade também traz dificuldades para garantir a continuidade do acompanhamento, principalmente quando uma pessoa circula entre municípios, estados ou países.

Estudo aponta desafios para atendimento

A dissertação também analisou a atuação do Consultório na Rua, serviço do SUS voltado ao atendimento de pessoas em situação de rua.

Entre os desafios identificados estão a necessidade de melhorar a integração entre os serviços, garantir continuidade aos tratamentos e aperfeiçoar o compartilhamento de informações sobre os pacientes.

O estudo defende ainda uma atuação conjunta entre saúde, assistência social e outras políticas públicas, considerando que a saída das ruas não depende apenas do atendimento médico, mas também de ações relacionadas à moradia, renda e proteção social.

Os dados mostram, portanto, uma população marcada pela mobilidade, mas também por diferentes trajetórias e vulnerabilidades. E, apesar das dificuldades, a maioria das pessoas identificadas pelo levantamento declarou que deseja deixar as ruas.

Fonte: Portal da Cidade

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