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PAIXÃO POR LIVROS

Embaixador da Feira do Livro lê 208 obras por ano e tem biblioteca com 3,5 mil

Waldson Dias lê quatro livros por semana, ritmo cerca de 52 vezes maior que a média nacional, e será homenageado na 21ª edição do evento.

Publicado em 02/09/2026 às 12:51

(Foto: PMFI/Divulgação)

O ritmo de leitura de Waldson de Almeida Dias chama atenção até entre os apaixonados por livros. Em média, são quatro obras por semana, o equivalente a aproximadamente 208 livros por ano. A quantidade é cerca de 52 vezes maior que a média anual de leitura do brasileiro, de 3,96 livros, segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024.

A relação de Waldson com os livros ajuda a explicar por que ele foi escolhido como Embaixador Honorífico da 21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu - Festival Literário, que será realizada entre esta quinta-feira (3) e domingo (6).

Dos quatro livros que costuma ler por semana, três são de gêneros variados, como romances, contos, crônicas e biografias. O quarto é reservado exclusivamente à poesia.

A rotina acompanha Waldson praticamente desde que aprendeu a ler. Ele tinha 6 anos quando foi alfabetizado em casa por uma tia professora, em Canguçu, no Rio Grande do Sul. No pequeno quarto da família, começou pelas histórias em quadrinhos e livros infantis.

Uma das obras que mais o marcou naquela época foi O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Os livros passaram a funcionar como uma espécie de passagem para lugares que ainda não conhecia. Depois das leituras, imaginava as cidades e paisagens descritas nas páginas.

Aos 7 anos, já lia Jorge Amado

Um desses destinos foi Salvador. O interesse pela capital baiana nasceu após a leitura de Capitães da Areia, de Jorge Amado. Waldson tinha apenas 7 anos quando conheceu a história dos meninos que vivem abandonados pelas ruas da cidade.

Na escola estadual onde estudou nos primeiros anos, conta que chegou a ler todo o acervo disponível na biblioteca. Depois, conseguiu uma bolsa para estudar no Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida.

Foi ali, ainda com 9 e 10 anos, que ampliou o contato com autores estrangeiros, entre eles Júlio Verne e Alexandre Dumas, além de escritores brasileiros.

A quantidade de livros consumidos pelo garoto criou até uma situação incomum. Como já havia lido as obras indicadas para a idade, conseguiu autorização das responsáveis pela biblioteca para acessar títulos destinados aos alunos mais velhos.

O efeito também apareceu na escola. Com a leitura diária, Waldson passou a se destacar nas redações e a vencer concursos internos.

Prêmio entregue por Mário Quintana

Anos depois, já em Pelotas, Waldson participou do 1º Concurso de Poesias Mário Quintana e conquistou o primeiro lugar.

O prêmio em dinheiro foi de 500 cruzeiros. Segundo ele, o valor permitiu comprar roupas e discos, mas a principal lembrança não foi financeira. Waldson recebeu a premiação das mãos do próprio Mário Quintana, um dos poetas que admirava.

Também foi de Quintana o primeiro livro autografado de sua coleção.

Décadas depois, os exemplares assinados por escritores ocupam espaço de destaque em uma biblioteca particular que já reúne mais de 3,5 mil volumes e continua crescendo.

O acervo poderia ser ainda maior.

Cerca de 2 mil livros perdidos em enchente

Em 2006, Waldson perdeu aproximadamente 2 mil livros durante uma enchente em São Lourenço do Sul, no Rio Grande do Sul.

Na época, ele já morava em Foz do Iguaçu e havia levado para a cidade cerca de metade de sua coleção. Os demais exemplares permaneciam em uma casa da família e acabaram atingidos pela água.

Mesmo com a perda, a coleção voltou a crescer. Além de comprar livros, Waldson frequenta feiras e festivais literários no Brasil e no exterior.

Na edição deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, realizada em julho, voltou para casa com uma bagagem bastante particular: 63 livros autografados.

Segundo ele, os exemplares foram assinados por escritores que encontrou durante o festival, inclusive pelas ruas e bares de Paraty.

Na viagem de volta, Waldson conta que se recusou a despachar a mala onde estavam os livros. Ao ser questionado por uma funcionária da companhia aérea sobre o conteúdo da bagagem, respondeu que carregava "pessoas, gente, seres humanos", numa brincadeira com os personagens e autores que levava consigo.

Uma história ligada à Feira do Livro de Foz

A homenagem deste ano também tem relação direta com a história do evento. Waldson vive em Foz do Iguaçu desde 2004 e participou da criação da Feira do Livro da cidade, realizada pela primeira vez em 2005.

Mais de duas décadas depois, retorna ao evento como Embaixador Honorífico da 21ª edição.

A Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu será realizada de 3 a 6 de setembro, com atividades literárias e culturais abertas ao público.

Para Waldson, que passou da criança que sonhava conhecer os lugares encontrados nas páginas para o homem que mantém milhares de obras dentro de casa, a relação com a literatura pode ser resumida por uma frase que costuma repetir, inspirada em um poema de Silas Fonseca: "Eu do livro não me livro".

Fonte: Portal da Cidade I Conteúdo patrocinado

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