Santa Rita
Crime organizado desafia polícia em mega-assalto no Paraguai, a 70 km de Foz do Iguaçu
Mais de 20 criminosos atacaram três bancos e uma casa de câmbio, fizeram um policial refém e fugiram após incendiar veículos e espalhar miguelitos.
Publicado em 16/06/2026 às 10:29
Uma madrugada de explosões, tiros e perseguição transformou a pacata cidade de Santa Rita, no departamento de Alto Paraná, em cenário de uma ação típica de organizações criminosas especializadas em roubos a bancos. Localizada a cerca de 70 quilômetros de Foz do Iguaçu, a cidade foi alvo de um ataque coordenado por mais de 20 homens fortemente armados, que usaram explosivos para invadir instituições financeiras, fizeram um policial refém e incendiaram veículos durante a fuga.
O ataque aconteceu entre 1h e 1h30 desta terça-feira (16) e mobilizou dezenas de policiais paraguaios. A ofensiva teve como alvo três agências bancárias e uma casa de câmbio localizadas praticamente lado a lado no centro da cidade, às margens da Rodovia PY06.
Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, os criminosos chegaram em pelo menos cinco veículos, portando fuzis, armamento de grosso calibre e grande quantidade de explosivos. A operação demonstra um alto nível de planejamento e logística, semelhante a outros grandes ataques já registrados na região de fronteira.
Explosivos destruíram cofres
Os assaltantes iniciaram a ação detonando explosivos nas agências dos bancos Familiar e GNB. As explosões destruíram os cofres das duas instituições.
No Banco Ueno, a quadrilha conseguiu invadir o prédio, render um funcionário e o vigilante da agência, que teve sua arma levada pelos criminosos. Apesar da invasão, os assaltantes não conseguiram acessar dinheiro porque a unidade não possui cofre operacional para armazenamento de grandes valores.
A casa de câmbio Santa Rita também foi alvo da quadrilha. Os criminosos instalaram explosivos no local, porém o artefato não detonou. Horas depois, equipes especializadas do Grupo de Operações Especiais (GEO) realizaram a remoção da bomba com segurança.
Até o momento, as autoridades paraguaias ainda não divulgaram quanto foi levado durante o assalto. A confirmação inicial é de que os criminosos conseguiram acessar pelo menos dois cofres, mas a contagem dos valores ainda está sendo realizada.
Policiais foram surpreendidos
Enquanto executavam o ataque, os criminosos surpreenderam uma equipe da Polícia Nacional que fazia patrulhamento preventivo na região central.
Os quatro policiais foram cercados pelo grupo armado.
Um dos agentes acabou dominado, desarmado e teve seu fuzil Galil e sua pistola levados pelos criminosos. Durante alguns minutos, ele permaneceu como refém da quadrilha.
Os outros três policiais conseguiram abandonar a viatura e buscar abrigo em uma vala às margens da rodovia enquanto o intenso tiroteio acontecia.
O chefe da delegacia de Santa Rita, Darío Aquino, afirmou que o policial sequestrado chegou a pedir aos colegas que não reagissem para evitar que fosse executado.
Pouco tempo depois, o agente foi libertado pelos criminosos durante a fuga. Ele sofreu apenas escoriações provocadas pelas algemas e não precisou de atendimento hospitalar.
"Era impossível enfrentá-los"
O próprio comandante da polícia local reconheceu que os agentes não tinham qualquer condição de enfrentar o grupo criminoso.
Segundo ele, os policiais estavam em clara desvantagem tanto no número de efetivo quanto no poder de fogo. "Fizemos o que foi possível, mas era impossível enfrentá-los. Eram mais de 15 ou 20 homens fortemente armados, utilizando armas de guerra e explosivos", declarou.
Outra equipe policial ainda tentou chegar ao centro da cidade para prestar apoio, mas acabou recebida com disparos de armas de grosso calibre e precisou recuar.
Fuga foi planejada nos mínimos detalhes
Após o roubo, a quadrilha colocou em prática um plano elaborado para impedir qualquer perseguição.
Dois veículos utilizados pelos criminosos foram incendiados, um na entrada norte e outro na entrada sul de Santa Rita, bloqueando parcialmente os acessos ao município.
Além disso, centenas de pregos conhecidos como "miguelitos" foram espalhados em diversos trechos das rodovias para furar pneus das viaturas policiais.
A estratégia retardou a resposta das forças de segurança e facilitou a fuga do grupo.
Até o momento, ninguém foi preso.
Dinheiro chegou a voar com as explosões
A força das explosões fez com que parte do dinheiro armazenado em um dos cofres fosse lançada para imóveis vizinhos.
Uma moradora encontrou uma sacola com cédulas em seu quintal e entregou espontaneamente o material aos investigadores.
Inicialmente ela chegou a ser conduzida para prestar esclarecimentos, mas foi liberada após comprovar que apenas recolheu o dinheiro que havia sido arremessado pela explosão.
No Banco Familiar foram encontrados apenas cerca de um milhão de guaranis entre os escombros, indicando que praticamente todo o restante do dinheiro foi levado pela quadrilha.
Já na agência do GNB, investigadores recolheram quatro sacos contendo dinheiro, cujo valor ainda está sendo contabilizado.
PCC é uma das linhas de investigação
Embora ainda não haja confirmação oficial sobre os autores do ataque, investigadores trabalham com a hipótese de que a ação tenha sido praticada pela mesma organização criminosa responsável por outros ataques a bancos registrados recentemente no Paraguai.
Entre os suspeitos monitorados pelas autoridades está o brasileiro Kaio César Bonotto Cavalcante, conhecido como "Bocón", apontado como especialista em explosivos e investigado por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a promotoria paraguaia, diversos integrantes da quadrilha já foram identificados. Entre eles há paraguaios e brasileiros com extensa ficha criminal por roubos a bancos e carros-fortes.
A investigação também aponta semelhanças entre o ataque desta terça-feira e as ações criminosas registradas anteriormente em Naranjal, Coronel Bogado e outras regiões paraguaias.
Pela proximidade com a tríplice fronteira e pelo histórico de atuação de organizações criminosas transnacionais, o caso deve contar com integração entre autoridades paraguaias e brasileiras para identificar os responsáveis, rastrear a rota de fuga e localizar o dinheiro roubado.
Fonte: Portal da Cidade
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