assalto no Paraguai
Polícia admite que já monitorava ameaça antes de ataque a bancos em Santa Rita
Comandante esteve em Santa Rita para coordenar as investigações e afirmou que a quadrilha possui grande capacidade de planejamento e financiamento.
Publicado em
16/06/2026 às 14:44
Atualizado em
O comandante da Polícia Nacional do Paraguai, comissário-geral César Silguero, chegou na tarde desta terça-feira (16) em Santa Rita, no Paraguai, localizada a cerca de 70 quilômetros de Foz do Iguaçu, para assumir a coordenação das operações policiais e das investigações sobre o ataque contra três bancos e uma casa de câmbio.
A presença do principal comandante da corporação mostra a dimensão do caso, considerado um dos maiores ataques contra instituições financeiras registrados neste ano no Paraguai.
Segundo Silguero, a prioridade agora é integrar o trabalho das equipes de inteligência, investigação e policiamento ostensivo para identificar todos os integrantes da quadrilha e reconstruir a dinâmica da ação criminosa.
Durante a visita, o comandante participou de reuniões com chefes policiais da região para avaliar as medidas de segurança adotadas antes e depois do ataque, além de definir novas estratégias para impedir novas investidas semelhantes.
Polícia já havia recebido alerta
Um dos pontos que mais chamou a atenção durante a coletiva de imprensa foi a confirmação de que a Polícia Nacional já possuía informações de inteligência sobre a possibilidade de uma grande ação criminosa em Alto Paraná semanas antes do ataque.
De acordo com Silguero, o alerta foi recebido aproximadamente 22 dias antes da invasão às instituições financeiras.
As informações indicavam que um grupo criminoso estudava realizar um ataque de grande porte na região, possivelmente contra carros-fortes ou outros alvos ligados ao transporte de valores.
Mesmo diante do aviso, as equipes não conseguiram identificar qual município seria atacado nem qual seria o alvo escolhido pela organização.
Segundo o comandante, medidas preventivas chegaram a ser adotadas, mas a ausência de informações mais precisas impediu um reforço específico em Santa Rita.
"O departamento de Alto Paraná concentra um grande número de instituições financeiras, o que torna impossível manter proteção permanente em todas elas", explicou.
Organização tinha estrutura sofisticada
Para o comandante da Polícia Nacional, o nível de organização demonstrado pela quadrilha evidencia que o grupo possui ampla capacidade logística, recursos financeiros e planejamento operacional.
A ação contou com dezenas de homens armados, explosivos, veículos de apoio, rotas de fuga previamente definidas e estratégias para impedir a chegada das forças policiais, como o incêndio de automóveis e a utilização de miguelitos espalhados pelas rodovias.
Segundo Silguero, todos esses elementos demonstram que a ofensiva foi preparada durante semanas e executada por uma organização criminosa altamente estruturada.
O foco das investigações agora é identificar todos os participantes, reunir provas técnicas e encaminhar o material ao Ministério Público paraguaio para responsabilização dos envolvidos.
Ex-policiais ainda não são apontados oficialmente
O comandante também comentou informações divulgadas nas últimas horas sobre um possível envolvimento de dois ex-integrantes da Polícia Nacional na ação criminosa.
Segundo ele, ainda não existe qualquer confirmação oficial sobre essas suspeitas.
Silguero afirmou que qualquer responsabilização dependerá da produção de provas técnicas, perícias e demais elementos obtidos durante a investigação.
Enquanto isso, todas as hipóteses permanecem sendo analisadas pelos investigadores.
Investigações continuam
As equipes da Polícia Nacional seguem realizando perícias nas agências bancárias atacadas e analisando imagens de câmeras de segurança para identificar os veículos utilizados na fuga e os integrantes da quadrilha.
Até o momento, nenhum suspeito foi preso e o valor levado dos cofres ainda não foi oficialmente divulgado pelas autoridades paraguaias.
O caso mobiliza diversos setores das forças de segurança do Paraguai e, devido à proximidade com a tríplice fronteira, também é acompanhado por órgãos brasileiros, já que uma das linhas de investigação aponta para a participação de criminosos brasileiros especializados em ataques a bancos e carros-fortes.
Fonte: Portal da Cidade
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